No estado, os salários dos políticos estão indexados ao salário do Presidente da República, o mais alto cargo, que ganha cerca de 11 700€, incluindo despesas de representação.O PM ganha 75%, um Ministro – 65%, um Secretário de Estado – 60% e um Deputado 50%. Um Presidente de Câmara (acima dos 40 000 eleitores – excepto Lisboa e Porto) ganha, também 50% do PR e um Vereador 80% daquele (nos eleitos locais as despesas de representação são menores). Os gestores públicos têm um regime especial, podendo ganhar (e ganham) bastante acima do PM e os dirigentes da administração pública, têm, também, referenciais próprios, contudo, naturalmente, abaixo da remuneração do PM.

Ora, sempre defendi que devemos ter os melhores no governo das instituições públicas. Na Presidência, Governo, Parlamento e Câmaras.

E não temos.

Desde logo porque os salários não têm qualquer atratividade, porque os seus titulares têm a vida pessoal constantemente devassada e porque, designadamente devido aos baixos salários, a “corrupção é tida como normal” ou é desvalorizada, porque, culturalmente, pensamos pequeno, tendo a impressão de que se trata de um “favorzinho”. Vivemos na época da “pós-verdade” em que as fake news se tornaram na “verdade paralela” que, embora fictícia, parece real.

Evidentemente que nem só os salários contam, julgo, contudo, que os exemplos são esclarecedores: um PM ganha menos de 9 000€/mês, quando um CEO de uma grande empresa ganha mais de 200 000€/mês e um Presidente de Câmara ganha cerca de 5 000€ quando um CEO de uma empresa do PSI20 ganha, em termos médios, cerca de 80 000€. Ou, como conheço alguém, que há uns anos foi convidado para Vereador, mas não aceitou porque ganhava 7 vezes mais como administrador do Grupo onde trabalhava, ao invés, por exemplo, do atual Presidente da Câmara, que na campanha para as eleições de 2021, promoveu uma ação onde afirmava que estava disponível para deixar a carreira universitária para ser presidente da Câmara, fazendo crer que o salário de professor era superior, o que não só não era e não é verdade, como tem um conjunto de mordomias que não teria como professor.

Enquanto assim for, não teremos nos governos da República e do Município os mais capazes, os melhores, aqueles cujas competências permitiriam maximizar valor e proceder à transformação sustentável do território e à inovação da infraestrutura necessárias, em prol dos cidadãos e da sua qualidade de vida.

Não deixa de ser curioso verificar que boa parte dos candidatos aos órgãos executivos autárquicos são funcionários públicos (designadamente professores, contra os quais nada tenho) e não líderes ou dirigentes de organizações empresariais.

Concluindo, o país deve pagar, convenientemente, a quem exerce os cargos políticos desde que estes tenham as mesmas capacidades e competências que os dirigentes empresariais. Não existem razões para diferenciar salários entre privado e público. A diferença está nas pessoas e na complexidade das organizações.

Este artigo está na última edição em papel do seu jornal Terras do Ave e que já encontra à venda nas bancas.

Outros autores de opinião no mesmo número : Gualter Sarmento, João Paulo Meneses, Abel Maia, Pedro Pereira da Silva e Carlos Real.

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A edição tem diversos assuntos que merecem ser acompanhados (veja aqui).

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