O presidente do município de Vila do Conde revelou, no final da reunião de ontem do executivo, que a Câmara contratou uma empresa para destravar a passagem da massa de jacintos d’água (planta) que estava a fazer pressão sobre a antiquíssima ponte D. Zameiro, na freguesia de Macieira da Maia.

A travessia é uma estrutura da responsabilidade da Infraestruturas de Portugal (IP) que, há uns dias, colocou um rudimentar sistema de retenção para evitar a colisão das plantas contra os contrafortes, mas esse sistema desapareceu.

Essa solução da IP não foi defendida pela Câmara, dado que a ponte corria o risco de sucumbir à pressão da acumulação de plantas.

Vítor Costa reconhece que a edilidade “vê-se de alguma forma impotente” para a resolução da praga de jacintos-de-água que, sendo uma planta invasora (é originária do Amazonas), não tem predador e invade o concelho como sucede noutros pontos do país.

Vítor Costa diz que é “uma questão que a todos preocupa”, mas, em rigor, “estamos a falar do domínio público hídrico sobre o qual a Câmara Municipal não tem jurisdição”.

“Já oficiamos imensas vezes a Agência Portuguesa do Ambiente [entidade responsável]”, confessa o autarca, lembrando que Vila do Conde está a jusante de todos os outros municípios da bacia hidrográfica do Ave. Ou seja, “apanhamos com toda a massa vegetal que se desloca ao longo do rio”.

Uma intervenção no território vilacondense terá de justificar também, em simultâneo, uma ação a montante, caso contrário o problema não ficará solucionado.

“É preciso – e já o dissemos várias vezes – um envolvimento de todos os municípios do rio Ave, da Agência Portuguesa do Ambiente, da Comissão de Coordenação…enfim, de toda a nossa Administração Central”, explica.

Para já, o aumento de corrente do rio (por causa das chuvas) tem levado parte das plantas para o mar, o que, de alguma forma, tem evitado o surgimento de um  outro problema: qual o destino a dar aos jacintos d’água que possam ser retirados diretamente do rio.

É que dada a absorção da poluição, as empresas de reciclagem de verdes não aceitam as plantas.

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