Depois de um período prolongado de ausência de reuniões públicas da Câmara Municipal de Vila do Conde por causa das férias de agosto, o encontro de “porta aberta” da vereação desta 5.ª feira durou…18 minutos.

É certo que a agenda tinha poucos pontos, mas houve pouco debate entre os eleitos.

Luísa Maia (PSD) ainda tentou puxar por dois assuntos que terão ficado pendentes da reunião anterior (à porta fechada) – a construção da central de biometano em Tougues e o combate à praga de Jacintos d’água no rio Ave -, mas o presidente Vítor Costa (PS) repetiu a justificação que terá dado há duas semanas: serão os serviços a fornecer explicações à social-democrata e nada mais explicou.

A vereadora “laranja” insistiu com dois temas atuais – as piscinas municipais, que permanecem fechadas, e a falta de obras no albergue de Santa Clara para os peregrinos de Santiago.

Na mesma linha de comportamento, o edil despachou o assunto em três penadas: o complexo de piscinas vai abrir em outubro e as obras no albergue chegarão a seu tempo.

Qual é o prazo?, questionou Luísa Maia (PSD) que, como resposta do presidente, obteve um lacónico “vamos ver”, variando consoante o tipo de procedimento administrativo.

Pedro Silva (Chega) lembrou que vai fazer um ano desde que, na sequência de cheias que afetaram o concelho, apresentou uma proposta sobre diversas intervenções, que deviam ser feitas, para evitar que tais ocorrências se repitam.

Vítor Costa alegou que as sugestões do Chega já integravam, na sua maioria, um plano aprovado no mandato anterior e prometeu a Pedro Silva: “penitenciando-me [por não ter respondido à proposta] enviarei o plano”.

Ainda que o vereador do Chega tivesse ficado a saber que a sua iniciativa ficou meses e meses na gaveta, Pedro Silva aproveitou o momento para entregar mais “uma proposta”, desta feita para que a Câmara subsidie com 50 mil euros os bombeiros e com outro tanto montante diversas Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS). Ou seja, “até 100 mil euros”, que sirvam para atenuar os efeitos dos aumentos dos combustíveis.

Como o documento não fazia menção à alteração do cabimento orçamental (para que a proposta fosse executada), Pedro Silva aceitou que o assunto fosse transferido para a reunião seguinte.

E se o presidente voltar a ignorar a ação do vereador, o certo é que Pedro Silva já garantiu a divulgação pública do gesto, dada a característica aberta da reunião. .

Na sessão foi aprovado, por unanimidade, um voto de pesar pela morte do Monsenhor Domingos Araújo e de louvor à atleta Luana Dourado (campeã mundial júnior de bodyboard) e a Rui Ramos, Bárbara Cunha e Gabriel Milhazes pelas conquistas no Europeu de no Stand Up Padlle de canoagem (Supc).

Nessa altura da agenda, ficou-se a saber que, na reunião anterior, os eleitos do PS e do Chega ameaçaram votar contra um voto de louvor a Ana Rita Oliveira (karateca que obteve a medalha de ouro nos Jogos do Mediterrâneo) proposto pelo PSD porque o texto fazia menção ao facto da desportista ser uma autarca social-democrata (na Junta de Vila do Conde).

Luísa Maia (PSD) ainda terá justificado que se era por causa da alusão a essa condição da atleta que a restante vereação não votava a favor, os sociais-democratas retirariam do texto referência, mas Vítor Costa, como o próprio confessou, terá alegado que, mesmo que as palavras saíssem, “o espírito estava lá”.

Pedro Silva (Chega) justificou que também reprovaria o documento pela tal alusão partidária.

O presidente alegou que “o que fizemos foi não deliberar” e não permitiu que Luísa Maia (PSD) contestasse a sua (de Vítor Costa) versão, dando andamento à reunião.

E praticamente sem discussão – ainda que o Chega se tenha abstido em quase todos os pontos e a representante do CDS, Elizabeth Real de Oliveira, tenha feito o mesmo na atribuição de um subsídio (a centrista já se queixara da falta de informação dos pedidos) – passaram os restantes assuntos em agenda, numa reunião que contou, na plateia, com dois jornalistas, uma funcionária municipal, e mais três pessoas. Nenhuma se inscreveu para fazer questões ao executivo, que teve um final de tarde sereno q.b.

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