O presidente da Junta de Tougues garantiu ontem à noite a dezenas de conterrâneos em protesto, que o órgão a que preside “não tem nada a ver” com a construção, na freguesia, de uma Unidade de Produção de Biometano Renovável” e que, nesta fase, só há duas certezas:

que a Câmara Municipal deu, em maio, luz verde a um Pedido de Informação Prévia (PIP) – entrado em 15 de dezembro de 2025 – à empresa promotora e que, mesmo assim, o processo será, em última instância, decidido pelos organismos estatais responsáveis.

“Será o ministério do Ambiente a aprovar, se aprovar. A Junta não tem nada a ver com isso, e não dá pareceres”, clamou o autarca que, do púlpito, face a pessoas mais exaltadas, atirou: “nós somos de Tougues e não nos podem acusar de nada”.

A noite, que teve um ambiente tenso, chegou a ter agendada uma sessão de esclarecimentos com a empresa interessada no investimento, a Capwatt, mas à última hora, a Junta anunciou o cancelamento do encontro face “ao elevado interesse demonstrado pela população em participar”, o que não permitia reunir “as condições logísticas” para que a sessão fosse “efetivamente esclarecimento e produtiva”.

Ainda assim, as pessoas que estão contra o projeto compareceram no local previsto para a reunião e manifestaram a sua insatisfação pelo surgimento da unidade tão perto de casas e inclusive de um lar para idosos.

Recorde-se que a Câmara de Vila do Conde e diversas entidades governamentais recusaram prestar quaisquer esclarecimentos ao jornal Terras do Ave, para a edição que saiu no dia 23, seguindo uma linha de secretismo que tem incendiado de polémica a freguesia.

Só quando viu o seu nome aparecer no lote de críticas do povo, é que o município, através da Agência Lusa, confirmou o que tinha feito:
dado luz verde à PIP porque “cumpria as normas urbanísticas aplicáveis e não exigia qualquer alteração ao Plano Diretor Municipal”.

“Importa sublinhar que esta decisão diz respeito exclusivamente à viabilidade urbanística e não corresponde ao licenciamento da atividade de produção de biometano. O projeto permanece, por isso, dependente dos procedimentos, pareceres e autorizações das entidades competentes, nos termos da legislação aplicável”, lê-se na justificação da Câmara.

Luís Miguel Peniche foi ontem pelo mesmo caminho, procurando transmitir aos presentes que nada ainda está decidido e que a empresa interessada – a Capwatt – tem de submeter o projeto a uma Avaliação de Impacte Ambiental (que inclui uma consulta pública) conduzida pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte.

E, de facto, a promotora revelou ao Terras do Ave que a instalação da unidade, que foi já reconhecida, pelo Governo, como um Projeto de Interesse Nacional (PIN), “está a cumprir os trâmites legais e regulamentares aplicáveis, incluindo as avaliações e estudos técnicos necessários à sua concretização”.

“A segurança da instalação e a proteção da envolvente são prioridades no desenvolvimento do projeto, que integra medidas específicas para assegurar o controlo de odores, ruído, água, solos e emissões, em cumprimento dos requisitos legais aplicáveis”, garante a firma

A Capwatt integra o universo da Prismore Capital (segundo o Jornal de Negócios trata-se da ex-SONAE Capital e que é detida pela EFANOR, uma “holding” da família de Belmiro de Azevedo), que opera no ramo da energia, inclusive na produção de biometano em Itália, Espanha, Polónia e México.

Na versão explicativa que nos forneceu  adianta que a central  “permitirá valorizar subprodutos agropecuários gerados localmente, transformando-os em biometano renovável, que será injetado na rede de gás e utilizado por unidades industriais da região”

E dará “resposta a um desafio concreto do território, relacionado com a gestão e valorização dos subprodutos gerados pelas explorações agropecuárias do concelho de Vila do Conde, contribuindo para as metas nacionais e europeias de descarbonização”.

No entanto, pelo ambiente de contestação que se verificou ontem, as explicações terão de conseguir apoio unânime. Para muitos dos residentes – certamente para a maioria dos que estiveram presentes no protesto de ontem – a qualidade de vida na freguesia vai piorar, sobretudo por causa da poluição resultante da matéria-prima (detritos da agropecuária) será utilizada para a sua transformação em biometano. E prometeram engrossar a voz do protesto em várias frentes.

A informação sobre Ambiente está na edição em papel do jornal Terras do Ave, como a que já encontra nas bancas (veja aqui),

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