Steve Bannon é reconhecido como um dos ideólogos da extrema-direita mundial. A sua notoriedade surgiu ao liderar a campanha presidencial de Trump em 2016 e cresceu depois de unir os movimentos fascistas em todo o Mundo numa estratégia e discurso comuns. É o autor de uma espécie de cartilha internacional que articula a acção dos partidos populistas. A política do caos acompanhada de constantes polémicas que visam dominar a agenda mediática é um estratagema de sua autoria adoptado por toda a extrema-direita. O que é preciso é berrar e quanto mais alto melhor. Ele é o ataque aos direitos civis com o pretexto de defender a família tradicional, ele é a desinformação desavergonhada através do uso intensivo de redes sociais, ele é a propagação de teorias da conspiração, ele é a descredibilização das instituições democráticas e também é o fecho das fronteiras e deportação em massa acenando com inimigos externos ou bodes expiatórios.

A retórica de Bannon foi ainda mais longe quando descobriu e se inspirou na “Grande Substituição” de Renaud Camus, uma teoria de substituição populacional que passou a fazer parte da cartilha. Trata-se de uma idiotice difundida pela extrema-direita que afirma a existência de uma conspiração para substituir a população nativa europeia por imigrantes oriundos de outros continentes, nomeadamente árabes e africanos. Uma teoria xenófoba, totalmente infundada, incendiária de sentimentos primários anti-imigrantes que visa a caça ao voto e ignora a necessidade de colmatar o envelhecimento demográfico e a falta de mão-de-obra.

Dizem eles que temos que travar os diabólicos imigrantes caso contrário eles irão forçar-nos à sua cultura, religião, hábitos e até gastronomia. Ou seja, exactamente o que os europeus fizeram quando iniciaram as Cruzadas que se trataram, nem mais nem menos, de expedições militares e religiosas com o objectivo de dominar religiosa, política e militarmente os povos locais, criando Estados Feudais com um sistema de vassalagem, perseguição religiosa a muçulmanos e judeus, onde não faltaram massacres, pilhagens e escravização da população indígena.

Mas se Bannon e seus encarneirados seguidores têm vontade de falar de substituição populacional podem fundamentar o discurso no que os europeus fizeram no continente americano reduzindo a população indígena a escassos 5% da totalidade, sendo que no país deste crápula, os Estados Unidos, os índios não ultrapassam os 1,5% da população total. Porém, se preferirem casos mais recentes, denunciem o genocídio perpetrado por Israel em Gaza ou na Cisjordânia. Isto sim, é substituição populacional. Mas já sabemos que a extrema-direita e a verdade não se dão lá muito bem!

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