O Foguete foi um serviço rápido ferroviário que ligou o Porto a Lisboa entre os anos 60 e 80 até ser substituído pelos conhecidos Alfa e Intercidades.
Na altura, a viagem durava cerca de 4 horas e 20 minutos. Era bem mais rápido que o automóvel ainda bem antes da ligação de auto-estrada.
Mas, com o passar do tempo, o Foguete deixou de ser útil e foi substituído por locomotivas e automotoras mais rápidas e modernas.
O mesmo não aconteceu com os outros foguetes, os das festas. Esses continuam a explodir por todo o concelho de Vila do Conde.
Tal como o comboio, nos anos 60 fazia sentido lançar foguetes. Assim toda a gente nas redondezas sabia que ali havia festa e era uma boa oportunidade para encontrar pessoas de outras aldeias e evitar a consanguinidade. Nada contra os foguetes nessa altura, portanto.
Mas, hoje em dia? Ninguém precisa de foguetes para saber onde há festa. A comissão de festas de certeza já andou a publicar um cartaz feito no ChatGPT em todos os grupos de facebook do concelho. Além disso, o Tinder já evita a consanguinidade desde 2012, e encontrar moças nas festas não dá certezas do seu consentimento.
Os sinais de fumo também deixaram de fazer sentido um dia e eram bem menos incomodativos. Para quê acordar toda a gente às 8 da manhã a um domingo de Agosto? Ainda por cima quando no dia anterior houve fogo-de-artifício à meia-noite e duo sertanejo até às 2 da manhã.
Apesar de não ser apreciador de fogo-de-artifício e duos sertanejos, admito que há quem possa gostar do espetáculo de luz e cor, mesmo que também possam ferir os tímpanos. Mas os foguetes? Ver uma faísca, um bocadinho de fumo e uma cana a cair?
Será alguém que odeia aqueles cães pequeninos que passam o ano todo a ladrar por baixo dos portões? E para se vingarem durante um fim-de-semana põem os bobis em pânico e em risco de enfarte de miocárdio.
Talvez seja isso. E, nesse caso, posso ter sido um pouco injusto.
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