Em janeiro de 2026 o preço do leite ao produtor desceu 3 cêntimos por litro e em agosto outro cêntimo e meio. Estas descidas representam aproximadamente uma perda de 72 milhões de euros para a produção face a 2025 e coincidem com aumentos dos custos de com fertilizantes, combustíveis e rações e com uma redução na produção de milho devido às ondas de calor. Além disso, pagamos o gasóleo agrícola 20 cêntimos acima dos colegas de Espanha e recebemos outras ajudas a um nível muito inferior em comparação com o país vizinho.

É verdade que o preço do leite ao produtor desceu menos em Portugal do que noutros países da Europa, mas também é verdade que isso aconteceu porque Portugal teve ao longo dos anos o preço mais baixo entre todos os países da EU. Não tivemos em Portugal um período de vacas gordas que nos permitisse acumular reservas e fazer investimentos.

A descida do preço tem sido comunicada aos produtores tendo como justificação a descida de valor do leite em pó e da manteiga e a dificuldade em escoar leite por causa da importação de leite francês e das promoções agressivas com leite açoriano.

 

Para evitar ou atrasar tanto quanto possível essas descidas que ocorreram e novas descidas que alguns dizem que ainda vão acontecer, e que seriam dramáticas para o setor, nós, na APROLEP, ao longo dos últimos meses, procurámos combater as causas, desenvolvendo uma intensa campanha de comunicação, primeiro, de forma positiva, para apelar à distribuição e aos consumidores para darem preferência ao consumo de leite nacional, através da oferta de leite e do contacto com os consumidores na Rua de Santa Catarina no Porto e depois numa praia do Algarve. Para reforçar e levar mais longe a mensagem, de forma inédita, pagámos para um avião atravessar o Algarve de Portimão a Vila real de Santo António com a mensagem “BEBA LEITE NACIONAL”.

 

Entretanto, apercebemo-nos que voltaram as importações de leite estrangeiro para os supermercados da cadeia Intermarché. Depois de um primeiro apelo que não foi ouvido e de um pedido de reunião que ainda não teve resposta, colocámos um primeiro rolo de palha no Intermarché da Maia e não vamos desistir dessa luta.

 

O leite e os produtos agrícolas produzidos em Portugal alimentam os portugueses e a economia de Portugal, reduzindo o défice comercial e mantém os campos cultivados e longe dos incêndios.

 

O produtor é o elo mais fraco na cadeia de valor do leite e a corrente rebenta sempre pelo elo mais fraco, mas quando uma “casa de lavoura” vende as vacas leiteiras, nunca mais volta à produção de leite. As indústrias privadas e sobretudo a indústria cooperativa têm de ter consciência disto e da responsabilidade de defender a produção, criar valor e partilhar o valor com os produtores a quem pertencem.

Secretário-geral da APROLEP

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