Finalmente, estão a avançar as obras do muro de sustentação do Rio Ave na Praça da República. Finalmente e felizmente. Registo, a propósito, dois breves apontamentos.
O primeiro para reconhecer a salutar proatividade municipal. Não tendo jurisdição para a referida intervenção, o executivo municipal protocolizou com a Docapesca a transferência das “responsabilidades” e com a APA o financiamento de parte da empreitada. É meritório, reconheça-se. Mas é também algo que convoca à reflexão sobre as demais “responsabilidades”. Não tardará muito para que os jacintos-de-água voltem a “invadir” o Rio Ave. E em Macieira, na Ponte D. Zameiro, a situação chega a ser crítica, colocando em risco uma estrutura com 900 anos de história. Pois não pode haver dois pesos e duas medidas. Não se pode, por um lado, regozijar por se ir “além das nossas responsabilidades num sítio em que não temos qualquer competência” e, por outro, sacudir a água do capote, afirmando que “a Câmara não tem jurisdição nem capacidade de resolver um problema”…
O segundo apontamento vai necessariamente para a oposição, em particular para o PSD, que votou favoravelmente, e bem, a deliberação da Câmara que atribuiu carácter de urgência ao procedimento contratual, que permitiu, por sua vez, a celebração e execução do contrato sem o visto prévio do Tribunal de Contas. Esta poderá ter sido, na altura, uma posição que suscitou um tanto ou quanto de incompreensão. Mas tendo votado favoravelmente o carácter de urgência, sem deixar de assinalar a incúria e, até, a incoerência do executivo socialista nos últimos 4 anos, importa dizer, agora que as obras se avizinham prontas, que os Vereadores do PSD de Vila do Conde estiveram à altura do seu papel. Antes de mais, no plano das convicções e do interesse público, mas também, refira-se, no plano táctico e político-narrativo – note-se que até o Vereador do Chega votou, incolumemente, a favor…
O que, enfim, denota duas coisas: por um lado, a coerência e a razoabilidade com que os eleitos do PSD procuram fazer política, fruto da maturidade de longos anos de oposição; e por outro, que a mais que usada narrativa socialista, de sermos a eterna e previsível voz do contra, não colhe mesmo qualquer adesão à realidade.
(Deputado Municipal do PSD)
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