Andy Burnham é o sétimo primeiro-ministro que o Reino Unido tem desde que para cá me mudei em 2012. Foram apenas 14 anos, por isso até dá uma média de 2 anos por primeiro-ministro. Em Portugal, para contarmos tantos primeiros-ministros teríamos que recuar até 1995 quando António Guterres foi eleito. Na altura a internet era acedida com modems de 28.8 kbps, a Expo 98 ainda estava no papel e Portugal tinha que ganhar à Irlanda para se qualificar para o Euro 1996. No Reino Unido se recuar o mesmo número de primeiros-ministros, já andávamos de smartphones, fazíamos vídeochamadas e Cristiano Ronaldo já começava a ficar velho para jogar na seleção.

É comum dizer-se que uma monarquia e um sistema de eleição através de círculos uninominais permite mais estabilidade e os governos têm tempo para aplicar as suas reformas a longo prazo. Mas bem, se eu queria mesmo estabilidade devia mudar-me para a Guiné-Bissau que teve apenas 6 presidentes no mesmo período. Assim as coisas são sempre mais interessantes e variadas.

Estar quatro anos sempre a queixar-nos da mesma pessoa torna-se cansativo. Assim desenvolve-se a imaginação e estamos sempre a encontrar coisas novas para criticar. Além disso, nunca se pode dizer que este primeiro-ministro é mais do mesmo quando o anterior só esteve lá 49 dias como Liz Truss.

Se não existirem eleições antecipadas Andy Burnham continuará mais 2 anos e, quem sabe, a média será mantida para gáudio de quem gosta de andar de montanha russa. O único garante de estabilidade continuará a ser o gato Larry, que habita o Número 10 de Downing Street. A sua influência é tão grande que o cão do primeiro-ministro nem sequer vai habitar a sua nova casa.

Eu sei que estou a escrever isto no sítio errado já que Vila do Conde teve o mesmo presidente da câmara durante décadas, mas digo-vos: nem sabem o que estão a perder!

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