A Associação de Produtores de Leite de Portugal (APROLEP) denunciou esta 3.ª feira, em comunicado, que as cooperativas associadas na Lactogal (gigante empresarial que controla o mercado nacional) decidiram baixar (em 1,5 cêntimos) o preço por litro que pagam aos agricultores do continente.
Num comunicado assinado pelo secretário-geral da APROLEP, o vilacondense Carlos Neves (na imagem), vinca-se que a redução do rendimento não podia surgir em pior altura.
Os preços dos combustíveis e das rações continuam a subir em contraste com a redução “na produção de milho silagem devido às ondas de calor”, logo “vamos ter menos alimento para os animais e vai ser, provavelmente, o mais caro de sempre”, alerta a APROLEP.
Além do mais, as descidas do pagamento ao produtor português são uma “dupla injustiça” uma vez que os agricultores do norte da europa e os espanhóis têm recibo apoios governamentais muito superiores aos lusos, por causa dos efeitos da guerra no Irão e do fecho do Estreito de Ormuz.
Por outro lado, é preciso não esquecer que a diminuição sucede “em período crítico de incêndios, que são cada vez mais graves por causa do abandono dos territórios e dos campos à volta das aldeias”.
“Os campos cultivados alimentam o país e protegem as populações”, sustenta a associação.
A APROLEP não tem dúvidas do mal que aí vem: “estas descidas vão provocar o abandono da atividade por parte dos mais velhos e vão desanimar os jovens que pensavam investir e instalar-se na produção de leite”.
“Por tudo, isto a APROLEP desafia os restantes compradores a manter o preço do leite ao produtor e desafia quem desceu a repor o preço no próximo mês e sobretudo a trabalhar e investigar para produzir queijos e iogurtes e outros produtos lácteos capazes de substituir os produtos importados que representam um défice de 400 milhões de euros”.
E mais: “a APROLEP desafia as indústrias e cooperativas a partilhar os resultados através do melhor preço aos produtores, para que os produtores possam fazer face aos custos de produção e efetuar os investimentos necessários para o futuro da produção de leite”
A finalizar a associação apela ao consumo de “leite e produtos lácteos nacionais, produtos de qualidade reconhecida, mais próximos, mais frescos e melhores para a economia de Portugal”.
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