- A semana fica marcada pela realização da Assembleia Geral Ordinária (AGO) que visava aprovar o Plano de Atividades e o Orçamento de Base Zero para a temporada 2026/2027. Trata-se do maior orçamento desde que a SAD foi criada e o Clube basicamente se limita às escolinhas e ao futsal. Estão previstos 830 mil euros (mais 8 por cento do que na época anterior), dos quais cerca de 500 mil serão gastos no futsal.
- Meio milhão numa equipa de futsal servirá para quê? A presidente da Direção não se comprometeu com objetivos desportivos. Disse apenas que “queremos continuar a ser competitivos e ambiciosos” e que se pretende “solidificar a equipa na Liga Placard”, fazendo “uma época que dignificará o Rio Ave.”
- Este discurso, simultaneamente otimista e vago, leva-me a este comentário: claro que todos os Rioavistas ficam satisfeitos quando, pelo menos aparentemente, as coisas correm bem e as perspetivas são positivas, mas num clube, como numa empresa, é preciso definir objetivos. Meio milhão de euros não é certamente apenas para lutar pela manutenção na primeira liga de futsal. É para lutar pelos oito primeiros, que dão lugar ao playoff que apurará o campeão. É para ficar nos quatro primeiros? Por que não ficaram, mais ou menos claros, esses objetivos?
- O mesmo tom simultaneamente otimista e vago ouviu-se mais vezes durante a intervenção de Alexandrina Cruz: a nova bancada será “uma nova realidade” “muito brevemente, correspondendo a um anseio histórico da massa associativa,” li depois na notícia da página oficial. Muito brevemente não será, se não há projeto nem calendário para as obras. Será em 2028, como tem sido dito? Relativamente ao futebol profissional, a presidente do Clube e da SAD falou em “celebrar grandes conquistas” e que “existe uma ambição clara de voltar a fazer do Rio Ave uma referência do futebol português”, mas que é preciso tempo.
- Em fevereiro alertei para a incoerência entre o que dizia (e diz) o ‘site’ e o que está registado notarialmente no Ministério da Justiça: no primeiro, Alexandrina é administradora executiva, no segundo não. Confrontada, por um sócio, durante a AGO, com a diferença, a presidente confirmou as funções executivas e que irá mandar retificar o disposto no Ministério da Justiça. Aproveitou ainda para confirmar a saída da administradora Lina Souloukou (a pessoa de confiança de Marinakis no projeto multiclube) e a vinda de um novo administrador, também da confiança do investidor, mas sem ligação ao futebol. Em resumo, neste contexto, a presidente do Clube é também a pessoa com mais poder na SAD. Pelo menos isso agora ficou claro.
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