Hoje quero-vos falar de um dos filmes que está a impressionar a crítica nos últimos tempos e que já se tornou num sucesso mundial. Obsession é um filme de terror escrito e realizado por Curry Barker, um jovem que tinha vindo a chamar a atenção pelos seus filmes independentes que lançava no youtube. Só este ponto já torna esta história muito bonita. É incrivelmente inspirador perceber que ainda é possível triunfar a fazer a arte pela arte sem ter que ter um grande estúdio ou nome por trás.
O filme segue a história de Bear, um jovem que é apaixonado por Nikki, sua amiga e colega de trabalho. Como muitas vezes acontece, Nikki apenas vê Bear como um bom amigo e o rapaz vive com medo de admitir os seus sentimentos com medo de ser rejeitado. Até que um dia ele pede um desejo através de um artefacto místico que comprou numa loja e Nikki começa a ser obcecada por ele. A partir daí o filme torna-se num compilar de situações caricatas que levam a acontecimentos macabros.
Apesar de ser um filme de terror que nos remete a cenas pesadas e difíceis de ver, a história aborda temas muito mais importantes do que parece. A questão do livre-arbítrio, do abuso, da dependência física e emocional, entre outros temas que podemos ver retratados nas pequenas coisas que vão acontecendo com este casal. Qual é realmente o preço de um desejo cumprido? Essa pergunta raramente é feita e muitas vezes, o preço que pagamos é muito mais pesado do que o desejo inicial.
Outro ponto que acho importante é a forma como o filme consegue pegar numa ideia muito usada como é o amor obsessivo e transforma-o num retrato fiel às relações modernas. A toxidade que existe cada vez mais entre os jovens leva a uma degradação das relações e por sua vez, das pessoas em si tal como acontece neste filme.
Não consigo falar deste filme sem mencionar o incrível elenco de atores que o compõem. Michael Johnston, Cooper Tomlinson, Megan Lawless e claro, Inde Navarrete que interpreta Nikki e que é a grande revelação do cinema nos últimos tempos. A Interpretação de Inde é absolutamente fascinante, perturbadora e inesquecível. A atriz consegue alternar entre momentos de vulnerabilidade, loucura e até medo que se tornam memórias presas na nossa cabeça. A personagem de Nikki é o combustível do filme e só a presença dela em cena tornam as cenas em momentos de grande tensão. Ou muito me engano, ou vamos ouvir falar de Inde muitas vezes nos próximos anos.
Termino como comecei, a falar de Curry Barker. Que bonito é ver um miúdo sair do seu pequeno lugar onde fazia filmes com os amigos para as bocas do mundo! As ideias novas, o talento, a vontade de fazer diferente existem, mas é preciso dar oportunidades a novas pessoas. Vivemos numa era que o terror vive de reboots ou de continuações falhadas de grandes franchises e de repente, veio um miúdo do nada que mostrou que é possível fazer bom cinema de terror. Acho que a grande mensagem que este filme deixa é que sim, é possível levar as pessoas de volta às salas de cinema. Temos é de arriscar e querer fazer diferente. No final do dia, todos nós ficamos obcecados por um bom filme.
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