Chegou aquele evento por que todos esperam. O evento em que o mundo se junta para desfrutar de uma arte. À primeira vista poder-se-ia pensar que estou a falar da rivalidade entre Rancho da Praça e Rancho do Monte, mas refiro-me a um evento menos relevante, o mundial de futebol.
O mundial de futebol permite-nos estar acordados às 5 da manhã para ver um Japão – Tunísia ou a República Democrática do Congo a jogar com o Uzbequistão quase até às três da manhã.
É aquela altura em que jogadores do Vizela partilham o balneário com jogadores das distritais alemãs. Milhões e milhões de pessoas a vibrar com jogadores do Frosinone, Kabylie e do Igdir FK.
E por que não fazer pausas patrocinadas pela Powerade a cada 22 minutos e meio de jogo? Apreciar a forma como atletas de alta competição e da segunda divisão dos Países Baixos conseguem hidratar-se em condições extremas de ar condicionado a 20ºC. Se não fossem essas pausas, como é que os atletas do Irão recuperariam energia depois de duas viagens de avião no mesmo dia?
Além disso, aqui em Inglaterra o mundial é usado pela extrema-direita para colocar bandeiras em postes de iluminação e assim criar o caos nas estradas. Quem não gosta de uma curva mal iluminada na sua auto-estrada de preferência?
Pode haver uma ligeira pontinha de ironia nesta crónica, mas o que é certo é que já vi muitos jogos. Já fiquei a vê-los noite dentro e a sair do emprego a correr por causa do futebol. Não me orgulho particularmente, mas também é uma forma de saber um pouco das bandeiras, do hino e de algumas culturas. Se não fosse o mundial não sabia que em Curaçao falam um criolo derivado do Português ou que a mãe do guarda-redes suplente do Chaves nunca tinha saído de Cabo Verde. E é por coisas assim que a vida faz sentido.
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