Quatro meses depois do anúncio “Nova Ponte sobre o Rio Ave avança”, pelo qual a Câmara Municipal dava conta de uma reunião com a Infraestruturas de Portugal – que, recorde-se, “resultou na decisão de estabelecer um protocolo (…) de realização dos estudos técnicos necessários” –, eis que a Câmara Municipal anuncia, no mês passado, que “a nova ponte rodoviária será uma realidade”. Isto com a efectiva celebração do dito protocolo… Rezarão os melhores manuais de comunicação política que melhor do que um anúncio, só mesmo dois. Aguarda-se, com certeza, pelo próximo anúncio, porventura relativo à primeira reunião técnica e novamente com a certeza da realização da ponte – independentemente do resultado dos estudos…
Em todo o caso, reconheça-se como salutar o esforço empregue para procurar solucionar as debilidades de mobilidade no concelho. Ou, pelo menos, na cidade. O problema, fazendo uso da expressão do Presidente da Câmara na sua tomada de posse, é que “a mobilidade vai mais além”. Para além do trânsito caótico sofrido nos acessos à Vila, e até mesmo dentro da cidade, há todo um concelho que padece de transtornos de mobilidade que ultrapassam a problemática dos congestionamentos.
O concelho é grande, é certo. Porém, e a título de exemplo, é surreal que, em pleno século vinte-e-um, a distância de carro entre duas freguesias, Fornelo e Ferreiró, ladeadas uma da outra, seja de 15 minutos, a mesma distância que, sem trânsito, levo de Vilar do Pinheiro a Vila do Conde – de uma ponta à outra do concelho. Isto para não dissertar sobre a falta de alternativas de mobilidade, com qualidade, no grosso das freguesias, em especial as interiores. Sem metro, com serviços de autocarro confusos e pouco acessíveis, e sem grande mobilidade pedonal.
Interpelado na Assembleia pelos eleitos do PSD sobre qual o plano de acção para a mobilidade no restante concelho, o Presidente da Câmara, hábito contínuo, optou por falar, mas não responder. Diga-se que até o estudo de uma variante a nascente da A28 foi evocado. Não como solução definitiva que se defenda, mas como (mera) possibilidade a estudar ou, melhor, a reestudar, recuperando o trabalho iniciado pelos executivos do Eng. Mário Almeida. Considerou o Presidente de Câmara como disparatado. Sugestões lançadas sem nexo. Consabidamente, a lealdade política nunca foi um ex libris do Prof. Vítor Costa…
Mas o mais espantoso esteve mesmo na afirmação de que a proposta da nova ponte apresentada à IP foi acompanhada do tal velho e nascituro Plano de Mobilidade. Isto depois de ter afirmado, em reunião camarária, que foi acompanhada não do Plano, mas de “informações relevantes”… A fazer fé no que ouvi, enquanto Deputado Municipal, registo que o tal Plano de Mobilidade, a estar concluído, nunca foi apresentado. Nem na Assembleia. Nem nas reuniões de Câmara. Nem sequer aos Vilacondenses. Não se conhecem diagnósticos, nem soluções.
Numa palavra, é uma Câmara às cegas: na mobilidade, na auscultação dos munícipes e na relação institucional com a Assembleia.
(Deputado Municipal do PSD)
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