Na última edição do Terras do Ave publicamos uma entrevista a Alexandra Loureiro, que se demitiu da presidência da Juventude Socialista de Vila do Conde.
O trabalho está na íntegra na edição em papel do jornal (ainda nas bancas), mas, entretanto, já colocámos dois excertos (encontra acessos em baixo neste texto).
Agora, com um terceiro trecho, finalizamos a divulgação por esta via.
No comunicado, que emitiu, garantiu: “Continuarei a intervir na vida cívica e política do concelho, defendendo os valores da democracia, da participação e da liberdade, princípios que considero inegociáveis”. Como pretende fazê-lo? Vai continuar ligada à JS?
Desfiliei-me da Juventude Socialista.
Porquê?
Foi uma dor muito grande e quis escusar-me a continuar a ir a reuniões e assembleias de militantes. Preferi sair e deixo a estrutura agora para eles. Se alguma vez precisarem de alguma coisa, estarei cá para ajudar, como sempre. Porque são as minhas origens e foram a minha família da política durante alguns anos.
Mas não precisava de se ter desfiliado…
Poderia, mas sei que hoje em dia [na JS] já não somos tantos como fomos. Se calhar às vezes por causa das listas poderiam pedir-me para estar presente e não quis criar embaraços.
Sinto que ficou magoada?
Fiquei um pouco, sim.
Estava à espera de uma maior colaboração dentro da estrutura, após a tal situação da qual não quer revelar pormenores e que levou à sua renúncia?
Sim, gostava de ter tido um bocadinho mais de apoio dentro da própria estrutura. Sei que é difícil, mas gostava.
E o PS também abandonou?
Não. Continuo a ser militante.
E pode ser pelo PS que irá fazer a tal “intervenção pública cívica”?
Provavelmente, sim.
Em Vila do Conde?
Em Vila do Conde e pelo país, se foi preciso.
Vê a política no seu futuro – até em cargos partidários – ou é algo que fica desde já afastado?
Quem gosta de política nunca se consegue desligar.
Como é que qualifica o trabalho da comissão política do PS local?
Pouco.
É pouco o trabalho?
Acho que sim. Um partido com poder tem de dialogar ainda mais com os seus militantes.
Falta esclarecimento junto dos militantes?
De certa forma, as [reuniões] comissões políticas não acontecem com muita regularidade, como vejo que acontecem noutras concelhias. Acho que poderíamos ter um bocadinho mais de diálogo. Não há nada melhor do que ouvirmos as ideias e as pessoas de casa. Eu, por exemplo, estarei sempre disponível para dizer o que acho que pode ser mudado, o que está mal e a minha forma de ver as coisas.
Mesmo com o que se passou, está disponível para isso?
Sim, porque primeiro, acima de tudo, estão os vilacondenses.
Nem sempre se consegue saber, de facto, o que se passa na política. O que achou da proibição de transmissão na Internet das sessões das assembleias municipais e de freguesias?
É uma situação muito complicada. Por um lado, entendo que queiram proteger as instituições. Mas acho que era algo de bom para todos. Por exemplo, para os jovens que estudam ou trabalham fora de Vila do Conde. Aliás, se queremos aproximar os jovens da política, não os podemos obrigar a ficar até à uma ou duas da manhã nas sessões, e depois ainda irem para casa. Veja-se o que se passa na Assembleia da República: é possível aos jovens, pelo canal Parlamento, ver o que se passou lá, sem ter de estar presentes.
Já que estamos a falar em comunicação, o PS só há pouco tempo é que despertou o seu site. Isto faz sentido nos dias que correm?
Não. Por acaso foi das primeiras coisas que falei quando assumi a JS porque a imagem de capa do perfil do Partido Socialista ainda era a do Pedro Nuno Santos. Já tínhamos um novo secretário-geral e ainda estava uma foto das legislativas de 2024. Se queremos mostrar que o Partido Socialista não é um partido envelhecido, como querem fazer parecer, também temos que usar as redes sociais a nosso favor. Ultimamente vemos comunicados, comunicados e comunicados, mas [faltam] publicações, partilhas, informação que os militantes que não podem estar presentes nas comissões políticas ou nas reuniões do secretariado, gostariam de conhecer.
Vê a política no seu futuro – até em cargos partidários – ou é algo que fica desde já afastado?
Acho que quem gosta de política nunca se consegue desligar.
Teremos a Alexandra Loureiro nas eleições autárquicas?
Adoro as eleições autárquicas. São as mais próximas da população. E não há nada tão bom como estar perto dos eleitores. Acho que se a política é bonita no seu todo, ainda o é mais localmente, porque consegue responder mais rapidamente às necessidades das pessoas. Espero que os vilacondenses me possam ver nas próximas autárquicas.
A terminar e depois de ter apreciado o turbilhão causado pela sua saída, qual a mensagem que deixa aos vilacondenses?
A liberdade é o bem mais precioso que temos e que nunca podemos deixar de lutar por ela. Seja na vida partidária ou por outras vias. E podem contar comigo para isso.
Pode encontrar outros excertos da entrevista aqui e aqui
Adquirir um exemplar do jornal Terras do Ave ou tornar-se assinante são formas que dispõe para ajudar esta publicação vilacondense, que não possui quaisquer apoios ou publicidade institucionais, a prosseguir a sua missão.
Nas bancas, o jornal aguarda por si nos seguintes locais:
-Auto Bem Guiados (Av. Júlio-Saúl Dias /Rua 5 de Outubro)
– Café Bompastor (Av. João Canavarro, em frente ao Hotel Brazão),
– Livraria Convívio (Av. João Canavarro, 132, entre os CTT e o Teatro Municipal)
– Tico-Tico Bazar (Centro Comercial Alameda, Av. João Canavarro, 303- loja 12).
– Kappa Café, Areia, Árvore

Array
![Entrevista a Alexandra Loureiro (Parte III) – “A Comissão Política do PS [vilacondense] trabalha pouco para os militantes”](https://terrasdoave.pt/wp-content/uploads/2026/06/alexandra3-750x390.jpg)