A edição em papel do jornal Terras do Ave, que encontra nas bancas, contém uma entrevista a João Leite, presidente da Associação Pró-Maior Segurança dos Homens do Mar, um cargo que assumiu em 2023, substituindo um dos fundadores, José Festas (falecido precocemente).

Pode conferir a entrevista na íntegra no jornal, mas temos agora oportunidade de, por aqui, publicarmos um trecho da conversou que abordou, essencialmente, o estado da instituição (assinalou há pouco 19 amos de existência) e as suas ambições.

Tentaremos fazer outras publicações, neste meio, com mais vertentes da conversa com o dirigente.

A Pró-Maior nasceu, há 19 anos, da ambição de armadores por mais e melhor segurança no mar. Ao fim destes anos é uma reivindicação ainda apropriada?

É uma luta que se mantém, que faz sentido, porque todos os anos temos problemas com a segurança. Por isso, cabe à Associação continuar o trabalho para que foi criada e dar voz ao pescador, em termos de segurança

O naufrágio do “Luz do Sameiro” em 2006, com seis mortes, e sobretudo nas circunstâncias como ele aconteceu, tão perto de terra, espoletou um movimento de mais de 200 armadores, que tiveram no malogrado José Festas o seu porta-voz. É um nome que jamais será esquecido por esta associação?

Sim e temos vários símbolos para que as pessoas nunca se esqueçam da pessoa que foi a mais importante para a fundação desta associação.

Falta, se calhar, uma rua José Festas…

Isso está, entre outras propostas, que foram transmitidas à Câmara de Vila do Conde onde faz mais sentido haver a rua porque ele era de lá. Está-nos prometido, mas não sei como é que as coisas estão a andar. Estamos a aguardar que a Câmara dê o nome de José Festas a uma rua.

Entretanto, deram o nome de José Festas ao complexo de 115 armazéns para aprestos construído no lado sul do porto de pesca – era um sonho do fundador – e que veio resolver o problema de vários armadores com falta de espaço em terra para trabalhar. É uma estrutura que está a funcionar bem?

Está. Mas na altura do problema de saúde do Mestre Festas houve quem duvidasse que a obra fosse até ao fim. Não só da nossa gente, mas também políticos e outras entidades por causa do impasse criado com a situação. Até que falaram comigo para dar a continuidade ao projeto e ele aí está. E até já são precisos mais uns quantos armazéns para conseguir dar resposta à procura.

Há lista de espera?

Aquilo envolve 115 armazéns e depois de toda a gente ter visto como funciona, a higiene que existe, o bem-estar e tudo mais, apareceram mais interessados. Tenho mais de 20 armadores à espera de armazéns.

Mas dava para expandir? E ocupando a parte mais a sul?

Possivelmente. Na atual configuração já não temos espaço livre. Temos a zona do estaleiro, que a Associação também pretende modernizar e daqui a dois meses vamos abrir um posto de lavagem para carrinhas e artes de pesca. A única solução seria, pois, a parte sul, e já reforçamos o pedido à Docapesca porque podemos candidatar-nos a fundos comunitários. E a existência dos armazéns não impede a melhoria estética do espaço para ser agradável à vista de quem passa na marginal. Uma coisa não impede a outra.

A propósito, embora o arranjo da cobertura dos armazéns atuais não fosse uma responsabilidade da Pró-Maior, mas sim da Câmara Municipal de Vila do Conde, é verdade que muitas pessoas responsabilizavam a associação pela falta de intervenção?

Sim e tentámos sempre esclarecer a opinião pública. Cumprimos os nossos praxzos porque havia verbas comunitárias envolvidas.

Não podiam ficar à espera…

Naturalmente. Mas também sabemos que as coisas nem sempre são feitas com a velocidade que se quer e com as câmaras não é diferente. O importante é que a obra já está a decorrer, tem alicerces concluídos e julgo que a parte de cima será mais rápida. E depois muitas das pessoas que estavam contra os armazéns, hoje passeiam muito por lá. É sinal que algo mudou e para melhor.

Se houver uma expansão do complexo, poderá surgir lá uma nova sede?

Nós aqui [na sede no lado norte] temos muito investimento feito. Enquanto a Docapesca nos deixar estar por cá, dentro do protocolo que existe, vamos continuar. Dentro em breve vamos até nos candidatar a verbas comunitárias para fazer uma remodelação da sede com uma necessária reconfiguração.

Quando a empreitada no topo dos armazéns ficar concluída, o porto de pesca terá um aspeto mais limpo e arrumado, se bem que a Associação tem demonstrado há muitos anos uma preocupação ambiental com o chamado lixo marinho. É um trabalho que tem dado frutos? Os armadores estão mais convencidos da necessidade de se proteger os oceanos? 

Não tenho dúvidas. Os armadores sempre tiveram a noção da importância de haver um mar limpo. E ao contrário do que muita gente pensa, dificilmente um pescador deita lixo para o mar. Ninguém se pode esquecer que é de lá que sai o seu sustento e quanto mais limpas estiverem as águas, melhor para a faina. E todo o lixo que vem às redes ou às artes de pesca, é trazido para terra e, em qualquer porto do país, existe um ponto para o colocar. Depois é há entidades responsáveis por dar-lhe o destino conveniente. Mas, quero frisar isto: as pessoas têm que ter a noção que não é o pescador que polui o mar, mas sim o lixo que as restantes pessoas lançam diretamente para o oceano ou para os rios.

Voltando ao foco da associação, a segurança, quais são os projetos mais imediatos que estão previstos ou pelo menos são desejados? 

Já concretizamos, desde a fundação, dois projetos e agora que se prevê financiamento até 2030, queremos fazer uma aposta na renovação de balsas, coletes salva-vidas e fatos insufláveis dos nossos associados.

No aniversário da Associação, houve vários reconhecimentos que a instituição quis fazer.  Quer justificar?

A comandante Mónica Martins faz parte da família da segurança e a associação sempre teve um bom relacionamento com ela e com a ajuda que precisávamos, por isso acho que era meritório reconhecer isso. Quanto ao capitão de Caminha, foi alguém que, quando estava de folga no lado espanhol, viu um barco em perigo e deu o alerta para que o salvamento se iniciasse. E sobre as tripulações que salvaram a tripulação do “Caminho da Boa Viagem” achamos que é de reconhecer alguém que deixa o trabalho para trás para socorrer alguém.

E pronto, este é apenas um trecho da entrevista a João Leite que encontra na versão em papel do seu jornal já nas bancas.  

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