Dizem que o ano novo traz vida nova. Mas independentemente das mudanças, tragam elas fortuna ou adversidade, a vida continua. E o Terras do Ave também continua. Continua como “espaço privilegiado para o debate de ideias”. Continua a salvaguardar “o rigor e a objetividade da informação e das suas fontes”. Continua como reduto de pluralidade e de democracia em Vila do Conde. E também eu continuo este meu singelo contributo para a sua história. Faz este mês um ano que iniciei, despretensiosamente, esta minha coluna de opinião, um espaço que se tornou uma pequena extensão do meu pensamento, um pequeno e periódico testemunho pessoal de liberdade e independência. Cumprido um ano de opinião, dedico a desta edição ao “Terras”.
E o que é o Terras?
Dirão os mais agrestes que é um jornal local. E lá terão a sua razão. Mas, para mim, é verdadeiramente muito mais do que isso… É, antes de mais, um jornal com quase 40 anos de história ou de heritage, como lhe chamam os ingleses. E é, também e inequivocamente, o jornal local mais credível e o mais esteticamente apelativo. Sóbrio na estética e sério no conteúdo. Bem-humorado, mas bem comportado. E independente, porque livre. Livre para escrever e livre para sobreviver. Fazendo uso das palavras de Raymond Aron, um jornal “nem conformista, nem rebelde, simplesmente livre e responsável”.
Neste quase meio século de história, faço destaque de um percurso sempre e somente trilhado pela cooperação de muitos Vilacondenses, que dedicaram a energia dos seus tempos livres em prol da livre informação e opinião da cultura, das pessoas e das instituições do concelho. Algo que honra o legado do fundador do “Terras”, o inigualável Álvaro Graça. E que faz deste jornal uma verdadeira escola de autogoverno (como todas as instituições da sociedade civil o deveriam ser), que não depende de subsídios, nem da publicitação de editais e deliberações dos órgãos municipais para sobreviver…
Quanto ao resto, e salvo seja a histórica e natural tendência editorial do jornal, amplamente conhecida de todos os Vilacondenses, a verdade é que a maturação de quatro décadas de experiência consolidou o caráter plural do Terras, sendo hoje marca distintiva do jornal a oportunidade que é conferida aos mais variados atores e quadrantes políticos locais de terem aqui espaço para a sua afirmação e contraditório, estejam no poder ou na oposição. Se não fosse evidente, estes espaços de opinião são uma prova dessa pluralidade, dando eco a vozes comunistas, socialistas, sociais-democratas, liberais ou conservadoras.
Como dizia o Miguel Esteves Cardoso, “começar é fácil, acabar é mais fácil ainda, o mais difícil de tudo é continuar”. Que o Terras do Ave continue por muitos e longos anos, no seu insubstituível papel de oferecer uma imprensa verdadeiramente plural aos Vilacondenses.

