A presidente do PSD de Vila do Conde concedeu uma entrevista ao jornal Terras do Ave que publicámos na íntegra na edição em papel. Temos agora a oportunidade de colocar aqui um excerto das respostas de Luísa Maia às nossas perguntas.
Vai tentar eleger uma alternativa a Vítor Costa. Como é que qualifica o desempenho do atual presidente?
Começou com as 100 medidas, dando tiros para o ar, com muito barulho, para não dizer gritaria. Mas o que fomos vendo? Muita comunicação social, muita fotografia, uma utilização muito grande da imagem e um timbre absolutamente sensacionalista. Em retrospetiva, diria que Vítor Costa nunca deixou de fazer campanha eleitoral. Aliás, se calhar nem vamos notar quando ele começar a fazer campanha, porque ela tem sido contínua. Mas obra? Trabalho? Não têm acontecido. Vemos um mandato com muitas deficiências e sentimos um grande descontentamento popular porque as promessas não foram cumpridas. Depois há falta de transparência e de democracia. Vemos isso nos contratos por ajustes diretos, que são excessivos, e na falta de respostas embora esteja obrigado a prestar contas à população. Veja-se a questão dos custos com os espetáculos, é uma obrigação do presidente da câmara vir a público dizer o que aconteceu e não andar com ameaças de processos-crime. Finalmente, é um mandato de um homem só. Falta-lhe equipa. Lembramo-nos do episódio da presidente da Assembleia Municipal – uma escolha dele – e das entradas e saídas de vereadores.
Está preocupada com o atual estado da saúde financeira da Câmara?
Estou. E não é por causa do célebre “buraco financeiro”. Há um nível de endividamento que não sendo extraordinário, 6 milhões e meio, não é um bom indício. E houve recentemente um empréstimo de 4 milhões e meio. E há uma enormidade de juros a pagar. Um ónus para as gerações futuras tal como vimos no início do mandato com a renegociação do contrato com a Indaqua. Quando estamos à frente dos destinos de uma autarquia temos de perceber que as gerações vindouras só podem ser oneradas em troca de investimento real, o que não foi nem está a ser caso.
Como vê o recurso a empréstimos?
Preocupa-me, porque não vejo justificações. Os últimos 4,5 milhões foram para obras de requalificação urbana que uma Câmara deve fazer com recurso ao seu orçamento e por detrás disto está uma má gestão.
Compreendeu a situação dos custos que a Câmara suportou com os concertos de verão?
Em 2024, só com festas os gastos chegaram aos 4 milhões, sem contar com o Natal que deve rondar mais um milhão. E neste mandato já vão nos 9,4 milhões, quase 10 milhões, portanto. As prioridades estão desequilibradas e os grandes pilares deste executivo são as fotografias e ação mediática, as festas e espetáculos, e os empréstimos.
Entende que é, por isso, por exemplo, que está anunciado o regresso do estacionamento pago?
Não me vou pronunciar sobre a bondade ou a necessidade, em termos de logística, do pagamento. Esse não é o ponto. A questão aqui é que não há um plano definido sobre mobilidade que em três anos tornou-se num dos maiores problemas de Vila Conde. A rede viária do concelho é péssima. A interligação entre freguesias é horrível. Não há estacionamento na cidade. O trânsito é caótico e não temos uma mobilidade sustentável. E a única medida que surge, avulsa, é essa: ligar os paquímetros. Parece que é só, de facto, para conseguir amealhar alguns trocos. A Câmara parece que está com os bolsos vazios e quer recuperar com o estacionamento o que gastou no Natal.
Enquadra esse estado das coisas no facto de não ser devolvida parte do IRS que é cobrado aos munícipes?
Essa é uma luta antiga do PSD, mas este presidente prefere dar cheques educação – e não ponho em causa a medida – e dizer que é ele que dá, do que fazer algo em que não há um conhecimento tão fácil do cidadão comum, como no caso do IRS. Com os cheques, a publicidade e a propaganda ficam muito mais no ouvido.
Na habitação, a Câmara prepara-se para entregar as casas construídas pela Santa Casa no âmbito de uma parceria entre ambas as entidades. Um acordo com o qual o PSD concorda?
O PSD sempre foi favorável às parcerias com o terceiro setor. Agora, coisa diferente é Vitor Costa fazer crer que foi a Câmara quem fez as casas. Não foi. Foi a Santa Casa da Misericórdia com a sua competência. E os dinheiros são do PRR. A única coisa que a Câmara fez foi elaborar um projeto e uma candidatura, como é sua obrigação, e bem.
Como é que viu a posição do presidente da Câmara sobre a iniciativa do PS no Parlamento que aboliu diversas portagens, mas não as da A28 e outras vias no distrito do Porto?
Viu posição do presidente? Eu não. O PSD votou contra a lei porque entendeu que foi uma medida avulsa, feita pelo Chega em coligação com o PS. Para o PSD devia ter havido uma avaliação dos custos e de outras situações. Mas o que não se entendeu foi a falta de defesa dos interesses dos vilacondenses pelo presidente da câmara. Vila do Conde tem uma portagem e os vilacondenses são onerados porque Vítor Costa não fez o trabalho que devia. Não tomou as diligências para que também aqui fosse aplicada a isenção. E como foi o partido dele quem viabilizou a cobrança, devia explicar porque é que deixou que os vilacondenses pagassem.
Na assembleia municipal, o PSD tem apontado a falta de realização de obras por parte da Câmara Municipal, apesar dos vários anúncios por ela feita. Subescreve?
Naturalmente. Só vimos o presidente da Câmara a reinaugurar obras do anterior executivo. Vila do Conde é fantástica pelas suas características naturais, geográficas, históricas, patrimoniais…enfim é uma terra maravilhosa. Mas quase nada foi feito para melhorar a qualidade de vida que, para mim, até piorou. Na mobilidade, as pessoas queixam-se que a “hora de ponta” agora é quase permanente, nas freguesias não há obras nem investimento, as freguesias estão completamente votadas ao esquecimento pelo presidente da Câmara, e a habitação só existe à custa da Santa Casa. Tudo o que Vítor Costa prometeu ficou em águas de bacalhau. As 100 medidas anunciadas rapidamente passaram a SEM medidas efetivas.
Este é um trecho da entrevista que encontra na íntegra na edição em papel do seu jornal Terras do Ave
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