Um empate em Arouca e outro frente ao AVS (Aves), seis pontos possíveis, dois conquistados. Não é bom, mas o Rio Ave continua a somar. Falta muito campeonato e, com mais nove pontos, tem a manutenção garantida, embora, nesta fase, seja prematuro perceber quantos pontos serão necessários para garantir um bilhete para a próxima época. Acredito que, nesta altura, esta questão seja mais importante do que parece, se partirmos do pressuposto de que esta época ‘está feita’ (com mais ou menos dificuldade) e que a próxima será a primeira verdadeiramente da total responsabilidade da SAD (Marinakis entrou em maio do ano passado, já muitas decisões estavam tomadas). Imagino que Petit não irá continuar, porque não surpreendeu, sendo disso sinal estes dois empates. A equipa tem mais agressividade do que com Freire, mas também tem melhores jogadores. Esperava-se mais. É verdade que faltam muitos jogos e é possível subir na tabela, mas eu apostaria que haverá novos protagonistas na próxima época. O futebol praticado é pouco interessante e fica a ideia de que, com estes jogadores, seria possível fazer melhor.

Esta semana, num outro espaço onde escrevo sobre o Rio Ave, evoquei um miúdo que brilhou nos sub11 e sub12 do Rio Ave entre 2016 e 2019, Flávio Gonçalves. No dia seguinte, um jornal desportivo dizia que ele seria o novo Pedro Gonçalves no Sporting, equipa onde joga desde os 13 anos e o que inscreveu, agora com 17, no campeonato principal e na Liga dos Campeões. Porque falo nisto? Porque, por muito que custe, é forçoso reconhecer que nos últimos 10 anos (para não ir mais longe) o Rio Ave gastou milhões com a formação e não produziu um craque, por exemplo ao nível de Fábio Coentrão. Costinha, vendido ao Olympiakos, foi o único que se destacou e é um excelente jogador. Mas é pouco. Ainda agora, o mais recente ‘produto’ da formação, Fábio Ronaldo, foi entregue ao Amadora. Azar nas escolhas? Falta de qualidade generalizada? Não sei. Sei que uma aposta tão forte na formação (lembram-se de ler que o Rio Ave era um dos três clubes com mais atletas inscritos na Federação de Futebol?) tem de ter retorno. Agora, com a SAD, a palavra é do investidor. E, por aquilo que se viu no mês passado, a aposta será mais em promover jogadores do que em os formar. Aguardemos. Mas quem o pode censurar?

Quando Jorge Mendes falou pela primeira vez com Evangelos Marinakis sobre a possibilidade de este comprar a futura SAD do Rio Ave, o magnata grego pediu a Mendes que indicasse alguém da sua confiança, que passaria a ser o pivô de toda a negociação. Mendes indicou C. (chamemos-lhe, por agora, assim). Marinakis vem ao Porto e encontra-se pela primeira vez com os responsáveis do clube, jantar onde também estiveram Mendes e C. A partir daí é C. quem trata de tudo, sendo normal que viesse a assumir a liderança da SAD. Por razões que explicarei futuramente, em cima do momento da escritura, C. sai de cena e é por isso que a SAD tem quatro administradores e não cinco, como é normal. Toshav é chamado a presidente, cargo para o qual não estava preparado. E foi isso que Marinakis percebeu claramente nos últimos meses. A notícia, esta semana divulgada, de que procura um diretor-geral (grego, da sua inteira confiança) enquadra-se neste contexto. Porque não administrador? Acredito que quando mexer nos administradores executivos será para uma mudança profunda. Para já, o nome da função é irrelevante, porque terá todo o poder.

Este é um dos artigos de opinião que estão na última edição em papel do seu jornal Terras do Ave.

Outros autores: Abel Maia, Gualter Sarmento, Adelina Piloto e Pedro Pereira da Silva.

(veja a 1.ª página aqui)

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