Uma das personalidades britânicas que mais me irritou desde que vim viver para este pais foi Nigel Farage, uma figura fulcral para a saída da União Europeia. Um dos aspectos mais irritantes era sem dúvida o seu discurso contra a imigração, especialmente contra os imigrantes de países europeus quando ele próprio era casado com uma senhora alemã, senhora essa que era a sua secretária pessoal paga pelos contribuintes da União Europeia. No início achava tudo uma verdadeira farsa e a sua falta de coerência tirava-me do sério, mas agora cada vez mais acho que é uma estratégia do seu espectro político. Se calhar Nigel Farage queria mostrar-nos que a sua mulher alemã não tinha qualidade suficiente pois até foi capaz de casar com ele.

Mas não é só no Reino Unido. Por exemplo, tanto o presidente como o vice-presidente dos Estados Unidos são casados com mulheres de outros países, talvez pela mesma razão. Para além disso, o seu maior apoiante, financiador e semi-ministro é sul-africano. O trabalho negativo dos imigrantes fica assim à vista de todos.

Portugal, como é óbvio, não podia ficar atrás. A mesma força política que diz que todos os deputados são uns gatunos, trouxe um deputado alegadamente gatuno de malas para o parlamento. E se já foi sugerido por figuras do Chega o corte de mãos a ladrões, é certo que ninguém põe as mãos no fogo (nem na guilhotina) por este ex-membro do seu grupo parlamentar.

Pode ter saído do partido, mas continua como deputado, para ser fiel ao princípio que os políticos usam cargos públicos para fugir à justiça e até tirou uma baixa prolongada para demonstrar que há muitos neste país a viver à custa de subsídios sem trabalhar.

Por este andar ainda vão descobrir que têm algum deputado imigrante filho de mãe muçulmana ou que o seu líder tem uma tese de doutoramento em que criticava a discriminação das minorias.

Este artigo integra a última edição em papel do seu jornal Terras do Ave (veja os assuntos da 1.ª página aqui).

Outros autores: João Paulo Meneses, Romeu Cunha Reis, Elizabeth Real de Oliveira, Rafael Terroso, João Paulo Meneses e Carlos Real.

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