De acordo com o Institute for Economics & Peace, Portugal é o sétimo país mais seguro do Mundo apresentando um dos mais baixos índices de criminalidade da Europa. Não obstante, a extrema-direita portuguesa conseguiu pôr esta questão na agenda política. Na berraria que lhe é peculiar, incita ao ódio culpando ciganos e imigrantes pela suposta insegurança. Sem surpresa. É a velha cartilha extremista desde os crimes de Hitler contra judeus e polacos. Na Assembleia da República, o seu líder aplaudiu a humilhação de seres humanos e vociferou que devem ser encostados à parede apenas por ser imigrantes. Mas se querem mesmo falar de segurança, vamos lá.

Acham que um reformado se sente inseguro porque há um cheirinho de caril a sair da casa do seu vizinho? Certamente que não. A insegurança dele é causada por ter tão baixa reforma que o impede de adquirir todos os medicamentos receitados, obrigando-o a escolher os que deve ou não comprar. Às políticas que mantêm reformas indignas, encostem-nas à parede!

Julgam que um jovem casal se sente inseguro porque na sua rua vive alguém que professa uma religião diferente? Decididamente não. Mas treme de pavor quando procura casa e vê os preços das rendas a subir, os valores dos apartamentos a aumentar e os empréstimos bancários a fugir-lhes do alcance. Às leis que beneficiam a especulação imobiliária, encostem-nas à parede!

Pensam que as trabalhadoras se sentem inseguras por ter colegas cujo sotaque é mais açucarado? Absolutamente não. Mas amedrontam-se perante a arrogância de patrões que as censuram por engravidar ou as criticam por exercer o direito de licença de amamentação. Aos abusos nas relações laborais, encostem-nos à parede!

Acreditam que um doente se sente inseguro por consultar um médico de cabelo encarapinhado? Claro que não. Mas assusta-o a hipótese de destruição de um serviço de saúde gratuito e de ser empurrado para hospitais privados, inacessíveis à sua carteira. Aos ataques constantes ao Serviço Nacional de Saúde, encostem-nos à parede!

Querem que os cidadãos sintam segurança? Valorizem os salários e pensões, assegurem o direito à habitação e reforcem a Saúde e a Educação Públicas. Vão ver que resulta. Quanto à vozearia, ao ódio e ao racismo, encostem-nos à parede!

Esta crónica integra a versão em papel.

Outras opiniões na edição: João Paulo Meneses, Adelina Piloto, Abel Maia, Pedro Pereira da Silva e Carolina Vilano.

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