O presidente da Junta de Freguesia de Árvore concedeu uma entrevista ao Terras do Ave que encontra, na íntegra, na última edição da versão em papel.
Aqui na Internet já tivemos a oportunidade de publicar um primeiro trecho e agora avançamos com um segundo em que Carlos Correia fala das obras que tem, das que gostaria de ter e das que não tem por, sublinha, culpa gestão socialista da Câmara Municipal de Vila do Conde.
Além disso, levante um pouco do véu do seu futuro político.
A Junta de Árvore é presidida por um autarca da NAU e a Câmara por um socialista. Sente ou sentiu alguma discriminação ou diferença de tratamento por causa disso?
Tem ficado explícito nas assembleias municipais. Se analisarmos os subsídios e as obras feitas nas outras freguesias vemos, por exemplo, juntas de freguesia com pavilhões e campos de futebol a serem relvados e Árvore não tem um equipamento desportivo.
Numa entrevista que deu ao Terras do Ar em 2023 chegou a falar na possibilidade de haver um campo de futebol na zona da Varziela. Como é que está essa intenção?
Não sei. Na altura, o Engenheiro Serafim, o antigo dono da pocilga, cedia-nos 10 mil metros quadrados de uma área que, na antiga proposta do PDM [Plano Diretor Municipal], ficou para equipamentos. E até entreguei o desenho na Câmara. Começava ali o campo de futebol, mas já com a ideia de avançar com o resto de um parque desportivo para o terreno do Ambicentro para ser feito um pavilhão. Precisávamos de comprar mais uma parcela de terreno que é da Ordem de São Francisco, mas essas negociações ficaram um bocado paralisadas para se ver como é que ficaria o PDM.
A localização era a ideal?
Contrariamente ao que alguns dizem, o parque desportivo ficava melhor ali do que, por exemplo, em Areia, por detrás da escola. Para o nosso executivo e para a maior parte dos arvorenses com quem tenho falado, o ideal seria naquele local porque não estava no centro da freguesia, havia sítios para estacionamentos, ficava a dois minutos a pé da estação do Metro e não havia problemas com ruído.
E que uso é que estão a fazer do Ambicentro?
Estamos à espera da resposta da Câmara para ver se sempre dá para fazer o campo de futebol e o resto do parque desportivo. Se não der, a parte onde eram os escritórios serão para associações e já criámos um armazém da junta de freguesia.
E que associações poderão instalar-se lá?
As que queiram ou precisem.
E a Associação Desportiva de Árvore das Forças de Segurança Unidas?
Quem respeita, nós respeitamos. Quem não nos respeita, não merece o nosso respeito. Foram manchar o nome da freguesia numa assembleia de freguesia e enquanto não se retratarem publicamente, não são vistos como uma associação de Árvore.
Mas não falta também um edifício para eventos mais culturais?
O tal pavilhão não seria só para desporto, mas um multiusos como o das Caxinas. E assim na antiga escola do Loureiro, onde pensámos fazer um aproveitamento, seria possível instalar uma Unidade de Saúde Familiar.
E quais foram os seus grandes projetos que não arrancaram?
O mais relevante foi mesmo a parte desportiva. Árvore tem sido esquecida e inclusivamente um ex-vereador chegou a dizer que a freguesia não merecia ter pavilhão nem campo de futebol porque não tinha relevo desportivo para isso, o que me deixou com uma certa indignação. Depois, há a falta de parques infantis tanto nas escolas como na freguesia em si. E nos que existem, as madeiras estão podres e os pisos irregulares. É precisa a requalificação dos atuais e a criação de pelo menos dois parques.
Isso são tarefas da Câmara Municipal?
Se fossem da Junta, já tínhamos feito. Outro exemplo: queríamos fazer a obra das águas pluviais no Outeiro dado que a chuva entra por dentro das casas, mas a Câmara não nos autorizou. Queríamos melhorar ruas que têm calceta e a Câmara também não nos autorizou até à data de hoje.
Não autoriza ou não apoia financeiramente?
Nem apoia financeiramente, nem autoriza. No meu mandato fizemos muitas obras, pavimentações, redes de águas pluviais, mas sem ajuda da Câmara. Vamos fazer o arranjo exterior da Junta de Freguesia e, para já, ainda não nos foi dado qualquer apoio. Fizemos o alargamento de uma parte do rio e também, para já, ainda não tivemos apoio nenhum da Câmara. Resumindo: nós da Câmara ainda não tivemos um cêntimo de apoio para obras.
E o Largo Carlos Araújo que é uma obra camarária?
É uma obra necessária, simplesmente não está como eu queria e como o primeiro esboço que foi feito. Mas tive que me cingir, porque era aquilo ou nada.
Mas qual era a grande alteração entre o que está a ser feito e aquilo que gostava?
Gostava que o edifício estivesse centralizado no Largo, não encostado a um canto. Que tivéssemos duas ruas e fizéssemos ali tipo uma rotunda. Seria muito mais prático, muito mais seguro, para as pessoas mais idosas e crianças.
Gostava de ter mais competências cedidas pela Câmara?
Deveríamos ter mais competências, simplesmente dos meus colegas de juntas de freguesia não havia esse interesse. E uma freguesia sozinha não tem capacidade [de obter]. Agora, como Vila, vamos exigir mais competências.
Foi eleito pelo movimento NAU que, num evento realizado na sua freguesia, anunciou a intenção de concorrer nas próximas eleições autárquicas. Vai fazer parte ou apoiar?
Foi um encontro de relançamento da NAU em Vila do Conde, pois estava um bocado adormecido. E a NAU tem todo o meu apoio. Vou lutar para não deixar esquecer o que foi feito pela NAU e que está a tentar ser apagado. Eu não tenho interesses e é o que noto também em quem representa a NAU. O único interesse é mesmo o desenvolvimento do concelho de Vila do Conde.
Mas está a poucos meses de fechar então o seu mandato, vai dizer adeus à política ou como um dia disse Pedro Santana Lopes vai andar por aí?
Vou andar por aí, vou continuar a dar o meu contributo aos arvorenses e ao concelho e vou integrar uma lista para continuar a puxar pelos interesses da freguesia.
Integrar uma lista à Câmara ou à Junta?
À junta da vila de Árvore.
Ou seja, não pode ir em primeiro por causa da limitação de mandatos, mas noutros lugares da lista sim…
Sim, em segundo, terceiro, ou outros…
Portanto, podem contar consigo e será pela NAU em princípio.
Em princípio será pela NAU, mas ainda há indefinições.
Mas está com vontade de continuar?
Estou porque também tenho um dever para com a equipa que me acompanha e que me apoiou nestes três mandatos, mais o outro que tinha perdido pelo PSD. Sozinho não se faz nada e era injusto para os meus colegas, que me apoiaram, agora afastar-me. Vou dar todo o apoio à pessoa de confiança que siga o projeto.
Mas já sabe quem é essa pessoa?
Está apenas no meu pensamento. Não está definido com a equipa porque também está tudo pendente de sabermos se vamos pela NAU, numa coligação ou independentes sozinhos. E era injusto estar a definir uma pessoa que depois não seja aceite por outros.
Array
