Carlos Correia, eleito pelo Movimento Elisa Ferraz /Nós Avançamos Unidos (NAU) lidera uma junta de freguesia que, com exceção da da cidade, é a mais populosa do concelho (5569 habitantes de acordo com os Censos de 2021).
No passado dia 12 de dezembro, através da aprovação unânime de um projeto-de-lei na Assembleia da República por iniciativa do Grupo Parlamentar do PSD, Árvore foi elevada à categoria de Vila e, nesta entrevista que encontra na íntegra na edição em papel do seu jornal Terras do Ave, o autarca que não pode concorrer a um novo mandato (cumpre o terceiro) analisa esse momento no Parlamento, mas também fala dos projetos que tem e do seu futuro na política.
Publicamos agora um 1.º trecho.
Como é que, como presidente da junta, viveu o dia de elevação de Árvore à categoria de vila?
Como a realização de um sonho muito antigo. A “Lei Relvas” cortou as vilas e cortou-me um bocado os sonhos porque não dava para elevar quando entrei para a junta, enquanto a lei não fosse alterada. Até que soube pelo candidato do PSD [à Junta], o arquiteto Fernando Soares, que a lei ia ser alterada, isto no final de 2023, e começou-se a trabalhar para se fazer o processo de candidatura.
Mas o dia da votação, 12 de dezembro, como foi?
Fiquei muito feliz por um lado e triste por outro. Ao contrário do que dizem quiseram instrumentalizar e trouxeram a política para o meio disto tudo. Quando soube [do dia da votação] falei com o Presidente da Assembleia e combinamos fazer as coisas em conjunto. E qual não é o meu espanto quando os do PS de Árvore me disseram que iam por meios próprios numa camioneta e inclusivamente com o jantar pago a quem fosse. É porque o PS-Árvore tem muito dinheiro. A Junta só ofereceu o transporte, mais nada. Quiseram partidarizar quando não tinham feito praticamente nada para que a elevação acontecesse.
Quando todos deputados da Assembleia da República aplaudiram a vossa presença nas galerias, sentiu que a vossa ambição era justa?
Senti. E senti que todos os deputados da Assembleia da República, ao contrário de outros membros do concelho de Vila do Conde, estavam orgulhosos por termos proposto e conseguido.
Olhando para trás, o que retém mais do processo que conduziu a esse objetivo?
Este processo deveria ter sido um orgulho para quem comanda, para quem está à frente do concelho já que Vila do Conde e S. João da Madeira eram os únicos municípios do distrito sem quaisquer vilas. Mas parece-me que há um certo enquadramento de quem dirige, que não é de agora, é de há muitos anos, de que nunca serão ofuscados por uma freguesia que lhes venha tirar uma parte da popularidade. A minha impressão é que não querem o desenvolvimento de Árvore.
O PSD assumiu a apresentação da proposta de projeto-lei, mas mais tarde o PS veio salientar que a elevação só foi possível devido a uma prévia iniciativa legislativa do governo anterior. Como é que analisa essas posições?
É uma realidade que a legislação começou a ser preparada em 2023 e ficou aprovada em 2024. Em duas sessões foi proposto ao Presidente da Assembleia um apoio para interceder junto da Câmara, visto que era do mesmo partido, respondeu que ainda não chegara o momento e que a Câmara tinha assuntos mais importantes, que esse era irrelevante. Por isso, não se ia meter nisso. Por outro lado, Árvore tem que agradecer ao PSD Árvore, ao PSD Vila do Conde e ao PSD da Assembleia da República, principalmente aos deputados eleitos pelo Distrito do Porto que foram incansáveis. Conseguiu-se, entre Junta e o PSD, aprovar a lei sem que o PS tenha feito nada até ao dia 12. Só no dia 12 é que o PS se lembrou que a Árvore existia.
E como viu o comportamento do presidente da Câmara?
Completamente alheado e desinteressado com o desenvolvimento do concelho, pois, como eu disse há bocado, até para Vila do Conde é bom vir no mapa dos municípios que têm vilas, não é só cidade.
Entende então que o presidente não contribuiu para este processo?
Não contribuiu em nada.
Esta elevação a vila implica maior responsabilidade para a sua junta?
Sim. porque temos agora que fazer jus ao estatuto. E Árvore ainda está muito atrasada. Apesar de merecer ser Vila, ainda nos falta ter certas coisas, por exemplo, um centro de saúde e um parque desportivo. E agora temos que lutar para isso. Temos que dignificar o nome de Vila na freguesia de Árvore.
Contamos amanhã publicar uma segunda parte da entrevista a Carlos Correia, mas voltamos a recordar que a mesma está na íntegra na edição em papel do seu jornal Terras do Ave que encontra nas bancas.
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