No último jogo em casa, frente ao Moreirense, o Rio Ave venceu uma das melhores equipas do campeonato. Uma vitória difícil, claro, mas que foi justa pela capacidade de sofrimento d(e quase todos)os jogadores. E também porque, sejamos honestos, tudo nos correu bem. Recuperando algumas ideias da última crónica, Petit trouxe sorte ao Rio Ave: quando antes tudo corria mal, agora corre quase sempre bem. Mas não é apenas sorte: se Freire tinha perdido a ‘confiança’ de parte da equipa, Petit conseguiu uni-los. Finalmente, o 4-3-3 parece mais favorável ao plantel disponível, com muitos médios e extremos.

O Rio Ave aterrou nos Açores com três vitórias seguidas e na mente de muitos adeptos já se projetava uma subida consolidada da equipa, apesar do pouco tempo que Petit teve. O jogo com o Santa Clara fez-nos voltar à terra: os primeiros 40 minutos foram uma nulidade, que chocaram com as tais ilusões dos adeptos. Minutos após o Santa Clara ter feito o primeiro golo, Petit tirou dois jogadores (o intervalo era daí a pouco) e deu um sinal: um dos que saiu, Tiago Morais, ou desaprendeu de jogar ou precisa de recuperar a forma e confiança com um ‘estágio’ no banco. Curiosamente, o mesmo se passa com o outro extremo, Kiko Bondoso, dos mais fracos nestas 13 jornadas, mas sobretudo nos últimos jogos. O jovem Valentim, dos sub23, que entrou aos 40 minutos, fez mais do que os dois juntos e merece a titularidade, pelo que luta. Se acho que conheço Petit, é isso que acontecerá no próximo jogo. Por falar em jogadores, há dois que quero destacar pela positiva: Vroussai, claramente o melhor elemento de todo o plantel, e Clayton: ninguém no campeonato português dá mais luta do que ele; cai e levanta-se, faz e sofre faltas, é impressionante como aguenta 90 minutos ou mais sempre intenso. O Rio Ave acabou por perder o jogo, mas a segunda parte foi diferente, com mais qualidade. E pelo menos uma grande penalidade ficou por marcar, numa arbitragem antagónica de João Pinheiro.

Marinakis, o investidor da SAD do Rio Ave, deu uma entrevista à Sky Sports e falou do Rio Ave (o que, só por si, é relevante, uma vez que até agora a verdadeira propriedade andava escondida). O que disse não foi surpreendente, mas foi importante para perceber o que pensa fazer com o Rio Ave: “É muito importante em tudo o que faço, ser uma equipa que tem uma grande base de adeptos. Portugal é uma exceção. É uma equipa mais pequena. Mas o que precisamos de fazer é que esta equipa também seja melhorada e que seja uma das seis ou sete melhores equipas de Portugal. É muito importante porque, para nós, o mercado brasileiro é muito importante (…) em Portugal, os brasileiros jogam como europeus [nota: após cinco anos de residência permanente em Portugal]. É uma porta, digamos, para os jogadores brasileiros entrarem na Europa. E para mim isso é muito importante para os próximos anos.” Ou seja, Marinakis quer que o Rio Ave seja a porta de entrada dos jogadores brasileiros na Europa, que depois poderá usar nas outras equipas que lidera ou para fazer mais-valias. Para isso ser possível, o Rio Ave tem de crescer, diz. Para já veio apenas um brasileiro, Clayton, e emprestado, mas deduz-se que a situação poderá mudar a partir da próxima época.

Há mais de um mês soube-se que a FIFA impôs à SAD uma nova sanção de impedimento de inscrição de novos jogadores durante três janelas de transferências consecutivas, por causa de uma dívida (menor, dizem). Das duas, uma: ou o sr. Marinakis não concorda com a despesa ou simplesmente não a quer pagar. No primeiro caso, é preciso lembrar que a verificação de contas, antes de formalizar a entrada na SAD, durou quase seis meses, pelo que, se foi esse o caso, ele saberia da existência da dívida. Se já foi com ele a mandar, e não concorda, o Tribunal de futebol da FIFA é o caminho, mas disso deveria a SAD dar conhecimento aos adeptos do clube. Se é o segundo caso, como me parece, então dispenso-me de o adjetivar, tal o absurdo.

Publicado na última edição em papel do seu  jornal Terras do Ave. Outras opiniões: Miguel Torres, Pedro Pereira da Silva, Miguel Torres e  Sara Padre.

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