Na primeira página do jornal Público de 30 de Outubro, lia-se em título; “76% dos portugueses querem o orçamento de Montenegro aprovado”.

Trata-se de um título enganador, por mais do que uma razão.

Em primeiro lugar, porque sugere que haverá 76% de portugueses que apoiam a política do governo vigente, quando a verdade é que, quando muito, o que poderia haver era muitos cidadãos que, saturados de tantas conversações entre governo e partidos pseudo-oponentes e por pseudo- divergências, o que queriam era ver o fim dessa novela de uma vez.

Por outro lado, porque, num país em que a cultura política da generalidade dos habitantes está tão pouco acima do zero, como é que 76% dos cidadãos poderão avaliar a qualidade de um orçamento de Estado? Acresce que, dos pouquíssimos por cento que têm habilitações na área da economia e das finanças, muito poucos são os que se dispõem a arranjar tempo para estudarem um orçamento de Estado a fundo e emitirem sobre ele um parecer fundamentado, mas gratuito.

Quem fez a sondagem ou a encomendou não podia deixar de conhecer esta realidade. E se houve 76% que responderam, ou se presume que o fizeram, tal demonstra que nem sequer tiveram a coragem de assumir que era assunto de que não sabiam nada.

Publicado na última edição em papel do seu  jornal Terras do Ave. Outras opiniões: Miguel Torres, Pedro Pereira da Silva, João Paulo Meneses e  Carlos Real

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