1. Nunca ‘pedi’, nos vários textos que escrevo, a substituição de Luís Freire, mas devo admitir que, se eu fosse presidente do Clube (podem estar descansados os sócios…) teria substituído este treinador na época em que subimos de divisão: deixar para a última jornada esse objetivo foi demasiado arriscado. Felizmente, correu bem… A partir daí, Freire, com mais ou menos limitações, foi conseguindo atingir os objetivos que as diferentes Direções impuseram. É verdade que me parece um treinador teimoso, que só tem um modelo de jogo, e que força os jogadores a adaptarem-se a esse modelo, mas não seria por isso que pediria a sua saída. Nesta época em concreto, há a desculpa de ter uma equipa quase totalmente nova (20 reforços), que precisa de tempo para se adaptar. E, como se não bastasse, houve ainda três jogos nos campos de três dos quatro ‘grandes’. Tudo isto junto, e reconhecendo que uma parte considerável dos sócios já o ‘despediu’, parece-me que é muito cedo para se trocar de treinador.
  2. Atingimos a metade da primeira volta (8 jogos em 17) e o Rio Ave tem 8 pontos. Perdeu os quatro jogos fora e ganhou dois em casa. Digamos que 8 pontos é positivo (o ‘suficiente’, de quando andávamos na escola), até porque, na época passada, por esta altura, tínhamos menos três. Mas, depois do jogo com o Benfica, a equipa tem de mostrar mais resultados nos 8 jogos que restam da primeira volta, já com equipas ‘do mesmo campeonato’. Eu acredito que sim, porque, lentamente é certo, a equipa tem vindo a melhorar: escrevi aqui que o jogo com o Estoril tinha sido o melhor da época, mas frente ao Famalicão o Rio Ave esteve ainda melhor. Empatou os dois. Se tem vindo a melhorar, então só podemos esperar que continue esse caminho.
  3. Dos 20 reforços há cinco que ainda não vimos em campo, mas 15 já se puderam mostrar. Indiscutíveis têm sido Panzo, Omar, Martim Neto, Aguilera, Kiko Bondoso e Clayton. Até agora não vimos nenhum fora de série, mas percebe-se que, em geral, são claramente melhores do que aqueles que saíram, exceção feita a Costinha, por muito que Vroussai se esforce e tenha qualidade. Onde é que quero chegar? Freire é muito bom a unir as equipas e a criar espírito de grupo, mas parece-me que ainda lhe falta capacidade para conseguir pôr cada jogador a atingir o seu máximo. Basta ver as escassas vendas que o Rio Ave tem feito nestes três anos: só uma, a de Guga, tem o seu dedo. Há jogadores neste plantel com muito potencial; mas terá Freire um bom camião para tanta areia?
  4. Não se sabe o que pensa o investidor deste início de campeonato, porque agora ainda há menos informação do que antes. Mas parece-me claro que a família Marinakis estará mais preocupada em valorizar os seus ativos do que com a classificação final (à semelhança do que acontece em Famalicão). Se é verdade que este plantel custará, no final da época, mais de 20 milhões, então ainda fico mais convencido disso mesmo.

Publicado na última edição em papel do seu jornal . Outras opiniões: Romeu Cunha Reis, Miguel Torres, Pedro Pereira da Silva, Carlos Real.

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