Na década de trinta do séc. XX, como que por encanto, os fascismos, nazismos e similares, repentinamente, começaram a rebentar como cogumelos no mundo capitalista, nos mais diversos países. Por mera coincidência?! Nos dias que correm, forças afins voltam a emergir, quase em simultâneo, em muito diferentes países. Por mera coincidência?!

Não, nem num caso nem no outro o ocorrido constitui um resultado meramente aleatório sem explicação político-económica. Pelo contrário, tanto num caso como no outro o fenómeno eclode/eclodiu em situações de crise do sistema económico capitalista. Todavia, há 90 anos, os rendimentos do trabalho eram miseráveis, as lutas dos trabalhadores intensas. A revolução soviética já iniciada era para estes um sinal de esperança, mas para o patronato uma ameaça pavorosa e inquietante. O capitalismo estava numa fase ascendente, mas muito longe do seu auge. Cortar regalias laborais, reprimir, eram as soluções do capital. Nada melhor que o fascismo para alcançar o seu objectivo.

Agora, o sistema económico vigente está igualmente em crise, mas numa fase do seu desenvolvimento bem diversa, porque descendente. As estruturas e o custeio do Estado social já embaraçam o mundo dos grandes negócios e o mesmo sucede com o nível dos salários e outras regalias sociais; melhor parece aos magnatas que os investimentos públicos e as benesses fiscais sejam em favor deles mesmos.

E isso, pensam eles, só com um Estado prepotente se consegue.

E se a retórica é oca, compensa-se aumentando os decibéis.

Publicado no jornal a 12 de junho. Outras opiniões:  Elizabeth Real de Oliveira, Pedro Pereira da Silva, Miguel Torres, João Paulo Meneses e Carolina Vilano

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