Opinião de R. Cunha Reis
Quem tem bem presentes as imagens das guerras na Ucrânia e na Palestina não pode duvidar de que a guerra é o caos que subverte todos os valores sociais, incluindo todas as normas sobre a defesa dos direitos do homem, sejam as contidas na Convenção Europeia dos Direitos do Homem, sejam as proclamadas na Declaração Universal dos Direitos do Homem, sejam as estatuídas na Constituição da República do nosso país. Os mísseis, os tanques, os drones esmagam, dilaceram tudo aquilo que todos os homens e mulheres consideram ser os fundamentos de uma civilização.
Por isso, o maior dever de cidadania de cada um é opor-se terminantemente à guerra. Se vivemos em democracia, e se a decisão sobre entrar ou não numa guerra é a mais drástica com que se defronta um povo, visto que põe em causa todos os seus direitos fundamentais, entre os quais o direito à vida de todos nós, parece evidente que tal decisão só poderia ser tomada por votação de todos. Todavia, tal não acontece. Os próceres que apostam na guerra em favor dos seus interesses não arriscam decisões democráticas. Para começar, insidiosamente, vão argumentado que a melhor forma de evitar a guerra é acumularem armamento. Obviamente, o inimigo faz o mesmo… …e depois a guerra ”acontece”, não é? E a culpa não é de ninguém.
Gentinha esperta!
Publicado no jornal a 17 de abril. Outras opiniões: Miguel Torres, Elizabeth Real de Oliveira, Pedro Pereira da Silva, João Paulo Meneses e Marta Ramos. Na atual edição em papel: Abel Maia, Gualter Sarmento, Adelina Piloto, João Paulo Meneses e Carlos Real.
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