Opinião de João Paulo Meneses
1. Durante a transmissão do jogo Vizela-Rio Ave, o jornalista da Sport TV falava numa equipa em grande forma (o Rio Ave…) e numa segunda volta fantástica: 17 pontos, duas vitórias, apenas uma derrota e 11 empates. Na primeira volta o Rio Ave somou 15 pontos, agora tem mais dois, mas ainda faltam três jogos. Em qualquer dos casos será sempre melhor, mas quão melhor? No fim fazem-se as contas, mas é certo que os adeptos já andam de calculadora na mão, porque os três jogos finais (Guimarães e Benfica em casa, Portimonense em Portimão) são muito complicados – os algarvios são nesta altura a equipa que está em lugar de play-off, aquele que se jogará contra o terceiro da segunda liga. Uma vitória altera tudo e garante a permanência, mas vai acontecer quando?
2. Portanto, não vamos discutir, para já, se a segunda volta é ou não fantástica, porque muito pode acontecer, mas podemos falar um pouco da qualidade exibicional da equipa. E essa está longe de ser animadora. Sábado, em Vizela, a primeira parte foi tão má que o treinador deve de dar a mão à palmatória nas declarações finais. Aliás, primeiras partes sonolentas já são uma imagem de marca desta equipa, como aqui tenho escrito. Depois do intervalo, os jogadores vêm com outro ânimo e, neste último jogo, o Rio Ave teve três boas oportunidades para marcar, sendo verdade que o adversário também o podia ter feito, mesmo a acabar. Ou seja, mais um empate de uma equipa que marca muito poucos golos e não tem um verdadeiro goleador, mas sofre muito poucos, mérito sobretudo do setor recuado [por falar em goleadores, neste jogo em Vizela o Rio Ave não tinha um ponta de lança no banco, apenas extremos. É cada vez mais evidente que algumas decisões tomadas em janeiro para reforçar a equipa não foram as melhores].
3. Para trás ficou o empate frente ao Arouca, um jogo muito igual a tantos outros (primeira parte a dormir, segunda parte com outra garra e possibilidade de vencer), apenas com uma diferença: uma arbitragem claramente negativa que, em caso de dúvida, apitou sempre contra a equipa da casa. Nos três golos anulados por fora de jogo nada a dizer, mas há uma grande penalidade evidente para o Rio Ave que nem árbitro nem VAR quiseram assinalar. Foi uma tarde má, pronto, numa segunda volta em que as arbitragens de forma geral (é preciso reconhecê-lo) não têm sido problema.
4. Este mês faz meio ano que se realizou a célebre Assembleia Geral Extraordinária, sem que nada se saiba dos seus resultados. Será por isso que o Clube está parado, para além das competições desportivas? Os responsáveis máximos estão silêncio há vários meses, a prometida campanha de sócios não arrancou e – era disso que vos queria falar hoje – a revisão estatutária também não. Como é sabido, numa das mais infelizes decisões do seu mandato, o anterior presidente engavetou uma revisão estatutária que foi bastante discutida por muitos sócios e, no essencial, estava pronta. A sua sucessora já fez saber que também entende ser necessário adaptar os estatutos aos novos tempos, mas nenhum passo foi dado até agora. Quando repararmos, passou um ano desde as últimas eleições.
Publicado no jornal a 1 de maio. Outras opiniões: Abel Maia, Gualter Sarmento, Adelina Piloto e Carlos Real.
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