Opinião de R. Cunha Reis

Depois de anos de espera, lá se iniciou a construção da esquadra da PSP. Mas este facto suscita-nos uma interrogação: o que é que irá ser feito da actual esquadra quando a nova ficar pronta? Formas de aproveitar o espaço haveria muitas, mas não seria muito mais razoável fazer desaparecer o edifício? Eu explico-me. A sua construção, em meados do séc. XX, não é de época antiga e a sua arquitectura é pobre e destoa junto dos edifícios do Convento do Carmo e da Igreja do Carmo que lhe ficam ao pé. Mas o seu desvalor não se fica por aqui. Porque a sua implantação naquele lugar, para além de ter retirado visibilidade à Igreja e ao Convento a partir da marginal, não só criou uma viela esconsa entre a sua traseira e as traseiras dos prédios da Rua dos Prazeres, como deixou estes impossibilitados de disporem de acesso de veículos aos seus quintais. Se esta última contrariedade, na época da construção, com raro uso de automóveis, poderia compreender-se, na actualidade já assim não é; e não é por acaso que os prédios voltados para a Rua dos Prazeres estão em ruínas.

(continua)

 

Publicado no jornal a 24 de janeiro. Outras opiniões: Miguel Torres, Eliana Miranda de Sousa, João Paulo Meneses, Elizabeth Real de Oliveira e Pedro Pereira da Silva. Na atual edição em papel: Abel Maia, João Paulo Meneses, Gualter Sarmento, Adelina Piloto e Sara Padre.

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