O vilacondense Rui Sousa foi reeleito, pela terceira vez consecutiva, presidente da Leicar – Associação de Produtores de Leite e Carne do Baixo Minho uma das principais instituições da região que pugna pela defesa do setor primário. E também lidera a “Leite do Campo”, uma cooperativa de produtores que está a tentar crescer num setor com enormes desafios pela frente, como conta em entrevista ao nosso jornal.
Recentemente foi reeleito para mais um mandato como presidente da direção da Leicar encabeçando uma lista única. Motivo de satisfação? Sente união à sua volta?
Por um lado, é motivo de satisfação, naturalmente, mas por outro lado, também é motivo de responsabilidade. Sendo uma lista única, fomos a lista B para dar um sinal de que o nosso empenho e o nosso esforço serão os mesmos. Como se houvesse permanentemente oposição, porque temos um foco muito grande em virar a página da Leicar.
Qual é a diferença entre a Leicar e a Leite do Campo?
A Leicar é uma associação interprofissional e tem o dever de intervir como representante do território junto das diferentes entidades governamentais e não só. A Leite do Campo é uma cooperativa que tem como função promover a produção de leite na região e defender os seus integrantes.
Dando conhecer um pouco as instituições, quantos sócios têm e de onde são?
A Leicar tem cerca de 1300 sócios que são, na sua grande maioria, de Entre Douro e Minho, mas tem também sócios de outros pontos do país. A Leite do Campo tem cerca de 170 produtores que estão divididos entre a produção de leite de vaca e de leite de cabra, e também estão espalhados pelo país.
Atualmente, quais são os serviços prestados aos produtores pela instituição que lidera?
A Leicar tem um leque de serviços bastante alargado. Temos o maior mercado de gado nacional, serviços de contabilidade, serviços de apoio ao associado, o serviço de inseminação animal e temos depois uma elevada quantidade de fatores de produção disponíveis para os nossos sócios.
Do ponto de vista financeiro, está tudo a correr bem com as contas da instituição ou também têm sofrido com a instabilidade dos mercados, a crise da inflação e do setor agrícola?
Em termos financeiros, tivemos uma situação muito complicada quando chegámos. Fechámos o ano de 2016 com um passivo na casa dos 8 milhões de euros, com dois milhões de prejuízo. Essa tem sido, felizmente, uma realidade que temos conseguido alterar. Mais do que duplicamos a faturação em todas as empresas e tivemos, por exemplo, no ano passado, um resultado consolidado do grupo de 320 mil euros. Continuamos a ter dificuldades inerentes àquilo que todas as cooperativas e empresas têm, mas vivemos, neste momento, uma situação financeira bastante mais otimista e desafogada.
Quais são os novos desafios para este novo mandato a nível de investimentos e de apoio aos produtores associados?
A Leicar deverá continuar a reforçar a sua atividade na defesa da agricultura e do território. E vamos ter sempre uma atividade focada na coesão territorial, sermos uma parte ativa na definição do modelo económico e social da região e cuidadores dos ecossistemas e da paisagem. Na Leite do Campo temos vindo, paulatinamente, a aumentar o número de sócios e a entrada noutras áreas do negócio. Estávamos na produção do leite de vaca e agora estamos também na de leite de cabra. Temos alguma transformação, mas o grande desafio da Leite do Campo é, de uma forma bastante mais intensiva, passar para a parte da transformação.
E qual é a mensagem que tem procurado passar para os consumidores sobre a importância dos produtos de leite e carne?
O mais importante é que as pessoas estejam bem informadas. Hoje há muita informação e muitas “fake news” [notícias falsas] disponíveis que alteram determinados padrões saudáveis e comportamentos alimentares. Por outro lado, queremos garantir que temos sempre um cuidado muito grande na preservação do meio ambiente e também na segurança alimentar e bem-estar animal.
Está à frente a Leicar desde 2017, logo tem um conhecimento aprofundado do que tem vivido o setor agrícola nos últimos anos, temos progredido ou regredido?
Temos progredido de forma muito sustentada. No entanto, temos regredido naquilo que é a existência de uma estratégia e de um desígnio de poder político para com o setor. Que tem vindo a perder influência.
E qual é o seu prognóstico para o futuro imediato do setor?
É de alguma cautela. Creio que o futuro da agricultura e o setor do leite será interessante, com alguma prosperidade, até porque tem havido uma redução do número de produtores de leite em toda a Europa. O que permite que aqueles que fiquem tenham mais algumas oportunidades.
Num aspeto mais particular, o senhor é presidente da direção e é de Vila do Conde. E o da assembleia geral também (Carlos Duarte). Isso comprova a importância da produção agrícola (e leiteira em particular) do concelho?
Sim. O concelho de Vila do Conde é conhecido, provavelmente, como o mais importante [do setor leiteiro] e onde por metro quadrado se produz mais leite. O facto de o presidente da direção e o presidente da assembleia serem os dois de Vila do Conde, não tem a ver necessariamente com o facto de ser de um determinado concelho. Os sócios assim o quiseram. E o presidente da assembleia é uma figura proeminente do sector e da região.
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