
Opinião de R. Cunha Reis
Já lá vão uns bons anos que escrevi um texto para este jornal que, se a memória me não falha, tinha por título: Sobre Guerras, Atentados, Invasões, Bombas Lançadas de Aviões e Outras Formas de Terrorismo.
Com um título destes é evidente que o que pretendia significar é que todas estas coisas causam terror e atentam contra a vida dos seres humanos, sendo, por isso, condenáveis, implicando responsabilidade penal dos seus autores, salvo casos de legítima defesa proporcionalmente usada. Mas condenável é também que a comunicação social dominante, não podendo ignorar esta evidência, sistematicamente opte por considerar terroristas aqueles que, sem disporem de recursos, se limitam a usar meios meramente artesanais, ou próximos disso, para defenderem os seus direitos internacionalmente reconhecidos, enquanto se referem às grandes potências com arsenais descomunais e capacidade mortífera arrasadora, que praticam mortandades aos milhares, como se fossem honrosas instituições, com o direito de praticarem todas as atrocidades que entenderem com total impunidade. Já na altura das guerras coloniais em África era assim que agiam os meios de comunicação fascistas. E, entretanto, lá vão morrendo palestinianos aos milhares.
Publicado no jornal a 27 de dezembro. Outras opiniões: Miguel Torres, Eliana Miranda de Sousa, Carlos Real, e João Paulo Meneses. Na atual edição em papel: Abel Maia, Gualter Sarmento, Adelina Piloto, João Paulo Meneses e Fátima Augusto.
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