
Opinião de Abel Maia
Terminar um ano trás sempre sensações contraditórias. A primeira, de nostalgia. O relógio não pára e encosta-nos à realidade da vida. Mais um ano. Mais velhos. Memórias. Saudades. Alívios. A segunda, de esperança. Como seres de memória relativamente curta, no bom e no mau, também pensamos, no minuto seguinte ao badalar das 24 horas. Ano novo, maravilha. Festejemos.
Que ano vem aí a nível nacional e internacional? Será certamente um ano de vertigem social e política. Vertigem que nos arrastará mediaticamente de modo diário e avassalador para os pormenores de várias guerras que nos entram pela casa dentro e pela alma. Vertigem que nos vai transportar por campanhas mediáticas de eleições regionais, nacionais e europeias. A festa da democracia, a três tempos.
Para quem acompanha civicamente estas andanças, e todos o devemos fazer, há seguramente um envolvimento psicológico que nos faz ouvir e ler o que os média e as redes sociais nos transmitem, e que se assemelha a um mar de palavras que não páram de ondular. Seja qual for a opção de cada um, com mais ou menos interesse, é inevitável a agitação, o frenesim. E assim é que está bem. É a democracia. Um orçamento de estado aprovado garante previsibilidade no curto prazo e transmite-nos a ideia de que apesar da crise política, tudo, no essencial, poderá correr sem grandes sobressaltos. Assim esperamos. E a nível local? Tudo calmo. One man show. Um orçamento aprovado. Números altos que estão tocados pelo virus da sobreorçamentação. Parece já feitio e não defeito e muito menos buraco. Não faço essa maldade. 112 milhões de euros, o maior de sempre no município, que cresce 41 milhões face ao ano anterior.
Executar diretamente pelo orçamento municipal 17 milhões do PRR em habitação social em 2024 é delírio e sobre orçamentação. Oxalá me engane. Mas que o ano novo seja melhor que o velho, e não só na festa e nas fotografias, mas no terreno. Bom ano.
Publicado no jornal a 10 de janeiro. Outras opiniões: Gualter Sarmento, Adelina Piloto, João Paulo Meneses e Fátima Augusto. Na atual edição em papel: R. Cunha Reis, Miguel Torres, Eliana Miranda de Sousa, João Paulo Meneses, Elizabeth Real de Oliveira e Pedro Pereira da Silva.
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