
Opinião de Miguel Torres
Em Inglaterra até ao ano passado existiam duas pessoas cuja admiração e respeito eram quase unânimes. Curiosamente nasceram apenas com pouco mais de duas semanas de diferença.
A primeira, como o leitor já deve ter adivinhado, era a Rainha Isabel II. A outra pessoa veio, na semana passada, ao edifício que tem o seu nome e onde trabalho, causando um burburinho que nunca tinha sentido na minha vida profissional. Nem mesmo no dia em que me cruzei com o Tino de Rans na Biblioteca de Valongo.
Trata-se de David Attenborough, que leva há 70 anos o mundo natural às nossas casas, apresentando, produzindo e narrando dezenas de documentários, incluindo a série atual Planeta Terra III que, por certo, chegará à televisão Portuguesa.
Não há figura mais consensual no Reino Unido. Ninguém é tão respeitado e admirado no país. No dia em que ele nos visitou, os escritórios estavam vazios e quase todos deambulam pelas áreas comuns só para terem oportunidade de cruzar-se com o senhor. Alguns colegas disseram-me até que era a sua pessoa favorita no mundo inteiro.
Dei por mim a pensar se em Portugal não tínhamos ninguém com o mesmo estatuto, mas a verdade é que Cristiano Ronaldo e José Mourinho podem ser, de alguma maneira comparados ao naturalista britânico. E vou terminar com dois exemplos: sempre que algum inglês me diz que vai a Portugal eu digo que os portugueses são um povo hospitaleiro mas peço também para não exprimirem as suas opiniões acerca dessas duas personalidades para evitarem danos físicos. O mesmo acontece ao contrário, quando os ingleses souberam que Herman José fez uns sketches na Eurovisão com uma personagem chamada David Attenburger cancelaram-no imediatamente e hoje nenhum programa do humorista português é transmitido pela BBC.
Publicado no jornal a 29 de novembro. Outras opiniões: R. Cunha Reis, Eliana Miranda de Sousa, Carolina Vilano, e João Paulo Meneses. Na atual edição em papel: Abel Maia, Gualter Sarmento, João Paulo Meneses, Adelina Piloto e Sara Padre.
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