Opinião de Eliana Miranda de Sousa

Está para breve a abertura do novo espaço hoteleiro no antigo Mosteiro de Santa Clara, e há dias recebeu-se a excelente notícia do investimento financeiro para a recuperação da igreja da mesma comunidade conventual. 1070 anos depois da primeira referência documental a Vila do Conde, a pequena vila surgida no topo de um promontório virado para o rio, eis que assistimos a uma espécie de re-nascimento, uma segunda oportunidade dada àquele monte e a dois dos edifícios mais emblemáticos da cidade.

No mosteiro, após as descobertas feitas pela equipa de Arqueologia, decidiu-se manter e valorizar as estruturas durante vários séculos escondidas. Numa visita aberta ao público, há uns meses, anunciou-se que seria criado um centro interpretativo junto a uma dessas estruturas encontradas, para que se ficasse a conhecer melhor a cronologia e a vivência deste espaço. Na igreja, pelo que foi anunciado pela autarquia, deverá haver uma intervenção de fundo e generalizada, bem necessária, dado o estado de degradação do edifício, que tanto dificulta o uso para o culto, como põe em risco todo um património edificado, artístico e documental.

A partir daqui, de toda esta recuperação, julgo que seria importante a continuação da valorização da zona envolvente de ambos os edifícios, dada a “carga histórica” que carrega consigo: as intervenções no subsolo do casario sempre acompanhadas por técnicos especializados na área do património; sondagens arqueológicas de diagnóstico, na tentativa de se encontrar antigas fundações (a antiga igreja matriz, a cerca do mosteiro, anexos exteriores da igreja, alguns bem documentados); estudos aprofundados da documentação existente em vários arquivos; e conservação da traça antiga do casario.

O bom conhecimento histórico de um lugar ou espaço, e subsequentes valorização, conservação, divulgação e dinamização, dentro e fora da comunidade, é o rumo certo, o que sempre defendi e acreditei. Espero ficar orgulhosa do que “aí vem”!

 

Publicado no jornal a 29 de novembro. Outras opiniões: R. Cunha Reis, Miguel Torres, Carolina Vilano, e João Paulo Meneses. Na atual edição em papel: Abel Maia, Gualter Sarmento, João Paulo Meneses, Adelina Piloto e Sara Padre.

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