Opinião de Abel Maia

 

Um amigo não apreciou o artigo do ‘arroz de polvo’. Diz que ex-presidente da concelhia do PS não deve criticar a atual governação local.  Vou fazer-lhe a vontade, hoje é só elogios:

– Ao governo ao cumprir o protocolo da construção da esquadra da PSP assinado com Mário Almeida. O terreno foi cedido gratuitamente. Toca a agradecer à família que o fez. Soa no ar que o atual governo faz esta obra por ‘enorme’ influência do novel presidente. Presunção e água benta. Mérito do governo e do PRR e ninguém suba, a despropósito, o pódio em bicos de pés. O essencial é que seja feita. Elogios a todos;

– À auditoria cirúrgica do final da governação da Elisa Ferraz da NAU. Sou insuspeito, não apoiei a NAU. A auditoria concluiu: Não houve buraco algum. Foram opções de gestão orçamental. Nada de ilegal ou desonroso. Elisa Ferraz, esteja descansada. Fogo fátuo. O quarto ou quinto tiro de pólvora seca de quem quer ser conhecido por publicitar ad náuseam o mal dizer sobre a antecessora no cargo. Elisa Ferraz sentiu a honra pessoal e política picada. Não é para menos, se se difunde o termo nubloso de “buraco”. Maldade política pura. A montanha pariu um ratinho, uma sobre-orçamentação habitual quando o atual presidente foi vereador com poderes na área. Ficou cara a brincadeira ao erário público: 25.000,00 euros pelo cano. Como ficou caro pagar 200.000,00 euros de indemnização para parar obra em curso nas freguesias. Um erro. Lembremo-nos da lição recente de Vila do Conde. Fazer parecer mal os antecessores presidentes da Câmara mostrou que não dá frutos. Elisa Ferraz que o diga. Obsessão com mandatos anteriores oculta falhas próprias. Tem de seguir outro caminho, o dos elogios, ouça o amigo comum;

– Ao presidente da Câmara. Não alargou a auditoria ao que Elisa Ferraz gastara em festas. O PS em uníssono fazia-lhe a critica. Como agora se diz que é despesa virtuosa, ficou fora da auditoria. Bom senso? O portal da contratação pública diz-nos que este ano já se gastou 1.600.000,00 euros em festas, festivais, espetáculos musicais, receções, almoços. Fora outras despesas diretas e indiretas à folia. O ano ainda não acabou, mas será o mais dispendioso de sempre na área. O mais festivaleiro e festivo. A divida sobe, sobe, sobe, sem obra própria, mas isso de que importa!!! Há que elogiar a festa. Viva o mandato da folia, viva o mandato das inaugurações atrasadas das obras da Elisa Ferraz do PS e da NAU, viva o mandato do início das obras diretas do governo. É só elogios;

Hoje não há arroz de polvo. Há carne branca, sem grande ciência. O uso da grelha, um toque de limão e gengibre, sal q.b, vinho tinto. E na minha idade, o mais importante, legumes salteados. É só elogios.

 

 

Publicado no jornal a 15 de novembro. Outras opiniões: Adelina Piloto, João Paulo Meneses, Fátima Augusto, e Gualter Sarmento. Na atual edição em papel: R. Cunha Reis, Miguel Torres, Eliana Miranda de Sousa, Carolina Vilano, e João Paulo Meneses. 

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