
Opinião de Abel Maia
Ouvi em deferido a última reunião da assembleia municipal, com momentâneas distrações pelo carinho que dava ao arroz de polvo que cozinhava. Foi a primeira vez que ouvi uma sessão neste mandato e acho que fico por aqui.
Conheço as vozes e não foi preciso ver as caras. Fiquei desiludido, não que houvesse razão para ficar iludido. Ouvi o presidente do executivo, soberba política a rodos. Senti vergonha alheia. Se esta foi a nova forma de fazer política estamos conversados. A oposição da NAU vacilante, pessoalizada e com laivos de desistência. A oposição do PSD tecnicamente competente, com Carlos Duarte e Nuno Maia a saberem do que falam, mas poucos os ouvem. O PS parlamentar segue o guião, torna a sessão escorreita. No geral uma seca, ao contrário do arroz de polvo, soltinho e saboroso, a que não foi estranho o piripiri de Angola. Só o ‘murro’ na mesa do Telmo Ramos deu um pouco de picante à sessão.
Os passeios de Vila do Conde andam mal tratados. Perigosos e com pedras soltas e raízes cada vez mais exteriorizadas. Com a divida a aumentar, o dinheiro milionário das festas, os maus negócios e acordos do município, não há uns cobres para tratar das reposições do empedrado dos passeios públicos? Uma brigada de dois/três calceteiros resolveria a maior parte dos perigos em 30 dias. É a receita que deixo aqui para diminuir a desgraça, porque a do arroz de polvo é segredo. O tempo que demorou libertar o Jardim da Av. Júlio Graça dos escaparates das feiras de verão sem uma explicação pública, diz muito do desleixo.
Li que o enorme anexo/esplanada de um restaurante local que ocupa o jardim da Praça da Républica vai ser demolido por irregular. Não devia ter sido autorizado. Sempre o considerei uma aberração, um mau exemplo e uma injustiça para todos os outros restaurantes. O executivo não concorda (estranho, porque devia ser o primeiro a reconhecer), mas é obrigado a cumprir decisões de outras entidades publicas.
Haverá discussão e recursos, certamente, mas com a demolição e a colocação de uma esplanada decente, digna desse nome, ganhará o património da cidade e o restaurante. Ouvi dizer a muitos e secundei que quem faz um anexo daqueles naquele sítio não gosta de Vila do Conde. Depois de reposta a situação, talvez volte, para comer um arroz de polvo, para comparar receitas. Deixei de ir com a construção da aberração.
Edição de 18 de outubro
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