
Opinião de Eliana Miranda de Sousa
Ao longo dos meses julho e agosto deste ano, decorreu a segunda edição do Spatia Resonantia, organizado pela Santa Casa da Misericórdia de Vila do Conde, em colaboração com a Paróquia de S. João Batista e a Câmara Municipal. É um evento musical que leva às igrejas mais antigas da cidade Música e História: antes de cada concerto, há uma pequena palestra sobre o monumento onde decorre o mesmo.
Assim, o texto deste mês é dedicado à música, mais concretamente aos órgãos existentes (e também aos já ausentes) das ditas igrejas.
De todos, atualmente (porque recentemente restaurado), apenas o órgão da igreja da Misericórdia se faz ouvir. Foi adquirido em 1773, saído no extinto mosteiro de S. Simão da Junqueira. Sabe-se, no entanto, que também teve órgão a igreja anterior a esta. Também dos anos 70 do século XVIII, chegou até nós o órgão localizado na parede sul da nave da igreja de Santa Clara, uma encomenda feita, aparentemente, a Francisco António Solha (ou Solla). Segundo um artigo de Mafalda S. Nejmeddine, que estudou os manuscritos musicais deste cenóbio, este órgão foi pago, em parte, com o dinheiro da venda de um órgão velho, deslocado para a igreja de Nossa Senhora da Lapa. Pelo que a autora citada indica, terão existido pelo menos dois órgãos no coro. Também existiu um órgão na igreja de S. Francisco, igualmente na zona do coro, citado num inventário do Convento de Nossa Senhora da Encarnação de 1780. Por fim, a igreja matriz: o actual órgão, também no coro alto, foi inaugurado a 6 de Setembro de 1908 e doado pelo comendador Bento Luis de Aguiar. Contudo, os documentos mais antigos dão-nos conta que, desde o final dos anos 30 do século XVI, se decidiu contratar alguém para que se «tanjam» os órgãos, ou para «desarmar hos orgos da igreja desta villa por estarem desmanchados e quebrados», ou ainda para serem consertados.
Edição de 6 de setembro
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